Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 24/10/2020
Segundo a Constituição federal de 1988, é garantido a todo e qualquer indivíduo o direito à cultura. Entretanto, tal plano teórico não se aplica totalmente à realidade brasileira, uma vez que há desafios para a prática de leitura no Brasil. Nesse sentido, é importante analisar que parte da população tem sua garantia constitucional violada, o que é consequência da negligência governamental, somada à má formação escolar, as quais dificultam a atenuação do problema.
Em primeiro plano, observam-se algumas distorções governamentais no cumprimento de seus deveres e, especificamente, na criação de projetos eficientes em incentivar a prática da leitura no Brasil. Nesse viés, de acordo com o filósofo Thomas Hobbes, em sua teoria contratualista, os indivíduos de uma sociedade abrem mão de parte de suas liberdades e delegam funções ao Estado, com o intuito de atingir o equilíbrio social. Sob essa perspectiva, o governo falha à medida que não disponibiliza recursos e financiamentos para redes de livrarias emergentes, de forma a diversificar o mercado, as produções literárias e, assim, atrair mais público. Logo, a escassez dessa ação colabora para o desinteresse de parte da população em livros, já que um grande número de obras são destinadas a grupos específicos e possuem uma linguagem erudita e, por isso, excluem possíveis novos leitores.
Ademais, os desafios para a prática da leitura no Brasil podem ter relação com uma sociedade com poucos incentivos culturais, ao passo que algumas instituições de ensino demonstram-se ineficientes em estimular um interesse por livros na aprendizagem do estudante. Acerca disso, o filósofo Theodor Adorno apontou, como possibilidade sociológica, uma pedagogia para autonomia, a fim de desenvolver uma escolaridade marcada por uma ética transcultural e inclusiva. Nessa conjuntura, o tecido educacional é ineficaz em fomentar, no aluno, um senso crítico capaz de reconhecer como obras literárias auxiliam na compreensão da realidade e na construção de valores morais. Portanto, em função da baixa escolarização e da falta de estímulos em criar o hábito de ler, parte da população possui uma capacidade de interpretação de texto deficitária e considera essa atividade desagradável.
Em conclusão, é responsabilidade do Estado, mediante o cumprimento de seus deveres previstos na Carta Magna, desenvolver medidas capazes de atenuar a problemática. Destarte, é dever do Ministério da Educação, por meio do financiamento de redes de livrarias, criar um projeto que permita que alunos de escola pública possuam desconto de 50% na compra de livros, além de garantir pontos extras ao longo do ano escolar para os estudantes que entregarem resenhas dos livros que leram. Desse modo, os desafios para a prática da leitura no Brasil serão reduzidos, visto que haverá incentivo e auxílio para que colegiais adquiram e leiam obras literárias.