Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 05/11/2020
No livro “Gente Pobre”, o escritor Fiódor Dostoiévski mostra, através do desprovido estudante Pokróvski, como a leitura pode ressignificar a vida das pessoas, visto que ela traz esperança e conforto. No Brasil, entretanto, vários são os desafios que impedem o “desfrute” dos livros, gerando, com isso, uma deficiência na formação intelectual e social das pessoas. Por isso, é necessário análise dessa problema que envolve tanto o custo dos livros para os mais pobres quanto a frágil tradição da leitura nos meios de convívio humano.
Em primeiro lugar, há o custo dos livros no mercado. Segundo o estudo “Retratos da Leitura no Brasil”, feito pelo Instituto Pró-Livro, 40% dos leitores brasileiros são das classes C,D,E. Considerando que um clássico universal em boas edições atinge valores de 60 a 100 reais e livros didáticos chegam aos 200 reais médios, percebe-se que uma parcela significativa dos leitores não possuem capital suficiente para investir em muitos livros, posto que eles custam, respectivamente, 5% e 10% da renda da classe D. Logo, o hábito da leitura não é uma oportunidade para os mais pobres, visto que ele custa caro e há outras necessidades mais básicas, e igualmente caras, para se investir, como alimentação, saúde e moradia. E disso resulta em uma população medíocre intelectualmente.
Em segundo lugar, há o desinteresse no ato de ler. Dois ambientes são fundamentais para desenvolver o gosto pela leitura nas pessoas: a escola e o lar. Porém, segundo dados da Fundação Lemann, apenas 45% dos professores da rede pública disseram que praticam a leitura no tempo livre e, de acordo com levantamentos do Instituto Datafolha, apenas 37% dos entrevistados afirmam que leem para suas crianças. Com isso, a população jovem, sobretudo, não vê motivos para desenvolver o hábito da leitura, posto que não tem exemplo de seus educadores paternais e professores. Então, forma-se um ciclo de ignorância no Brasil, visto que as pessoas não têm o hábito de ler, e, então, não compram livros, e o mercado editorial fica desestimulado a comercializar em grandes lotes e com preços baixos.
Percebe-se, portanto, que o brasileiro convive com alguns problemas que os impedem de ter o hábito da leitura e o quanto isso tem sido prejudicial para a intelectualidade da nação. Para amenizar isso, é necessário que o Ministério da Educação incentive, por meio de bolsas semestrais, a leitura de livros de escolha livre dos alunos, e não da imposição de livros considerados ideais, para que eles se sintam protagonistas dos seus conhecimentos. Além disso, o Ministério da Cultura deve investir em produções de filmes e peças teatrais que adaptem os grandes clássicos mundiais e nacionais com a linguagem contemporânea para que as pessoas compreendam melhor o conteúdo dos livros e, portanto, se estimulem a os enfrentar em sua forma estética para compreendê-los no todo. Feito isso, os brasileiros verão o quão maravilhoso a tradição literária e o conhecimento podem ser e o quanto eles têm a nos ensinar.