Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 27/10/2020
Segundo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Sendo uma das principais fontes de conhecimento, os livros transmitem variadas informações e até mesmo, moldam o caráter de seus leitores, ensinando muito mais do que dados técnicos. Embora benéfica, a leitura enfrenta uma série de desafios no cenário brasileiro, existindo assim, um déficit no número de leitores no país. Tanto pelo alto custo dos exemplares literários como a falta de hábito, a problemática torna-se cada vez mais acentuada e atual, tendo como consequência o analfabetismo funcional cada vez mais resistente no Brasil.
O consumo do livro no país é constantemente prejudicado por seu mercado pequeno, tornando-se assim, elitista e excludente. Com uma tiragem demasiadamente menor que outras nações, o Brasil enfrenta o problema da diminuição de tiragem de livros e aumento de títulos, segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL). Dessa forma, os exemplares apresentam um custo alto e difícil acesso. Devido às últimas crises enfrentadas e a pandemia vigente, o que já era caro, tende a aumentar ainda mais o seu valor de acordo com a Reforma Tributária, apresentando um acréscimo de 20% em seu custo final.
Ademais, o hábito de leitura é estimulado precariamente pelos brasileiros. De acordo com a pesquisa do Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro. Através desses dados, é perceptível que o ato de ler não faz parte do cotidiano da população. Devendo ser incentivado inicialmente dentro de casa e nas escolas, esse hábito é dificuldade pelo fraco sistema de ensino que apresentam a leitura como obrigatória, levando os alunos a buscarem apenas uma nota boa e não seus benefícios reais, assim como, a estrutura física das bibliotecas escolares. Como consequência da falta de interesse nos livros, apresenta-se cada vez mais um alto número de analfabetos funcionais e jovens e adultos que não conseguem interpretar aquilo que leem.
Em síntese, a mudança da problemática começa de maneira pessoa e deve ser auxiliada por mestres do ensino e familiares, assim como órgãos que possam facilitar o seu acesso. O Ministério da Educação deve investir em propostas e mudanças no planejamento de estudos, apresentando atividades onde o livro seja visto como aliado e não inimigo, além de, investir financeiramente em reformas estruturais em bibliotecas públicas e de escolas. Além disso, é preciso que as instituições de ensino utilizem de sua autonomia para que realizem a difusão da leitura como algo positivo e não apenas, uma tarefa.