Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 28/10/2020
Monteiro Lobato, escritor brasileiro do século XX, dizia que um país é feito de homens e livros. Dessa máxima, pode-se extrair que o desenvolvimento intelectual e pessoal de uma nação está atrelado de algum modo ao quanto os seus cidadãos se dedicam à pratica da leitura. A este respeito, a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) “Retratos da Leitura no Brasil”, de 2016, aponta que apenas 56% da população brasileira tem o hábito da leitura, um percentual ainda muito aquém do desejável. Por isso, é necessário haver a discussão sobre os desafios para a prática da leitura no Brasil.
Ainda valendo-se da pesquisa do IBOPE, um dos desafios para a formação de leitores é a falta de domínio da habilidade leitora. As dificuldades apontadas vão desde não ter paciência a ler de modo muito vagaroso. Por certo, os dois motivos apresentados são preocupantes, pois revelam tanto a falta de condicionamento satisfatório da população brasileira para o hábito da leitura quanto a dissociação da prática com algo prazeroso. Talvez tais problemáticas sejam oriundas de um modelo escolar que obriga, de modo arbitrário e alienado, os seus discentes, futuro público leitor adulto, a ler livros ao invés de buscar incutir neles o gosto por tal ação. Desse modo, fica evidente que se a prática é encarada como algo impositivo ou estressante dificilmente virá a ser um hábito.
A já referida pesquisa também aponta que assegurar o acesso aos livros é condição sine qua non há a criação do hábito de leitura, já que sem acesso a eles nas bibliotecas escolares ou públicas, dificilmente as pessoas os terão em casa. E nesse ponto, as bibliotecas públicas e escolares tem papel primordial, já que são o principal meio de acesso gratuito ao livro. Todavia, quando é feita menção ao ambiente escolar, o equipamento encontra-se em apenas 36% de tais estabelecimentos. A respeito das bibliotecas públicas, outra pesquisa de 2019, agora do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), aponta que presença delas em municípios em 2018 é menor do que em 2015.
Como dito no parágrafo anterior, é preciso assegurar que os brasileiros tenham mais acesso aos livros, a fim de se iniciar os processos de condicionamento e de gosto pela leitura nas pessoas. Contudo, a simples existência de bibliotecas por si só não garante que elas sejam frequentadas. Além da garantia de acesso, as escolas ou as próprias escolas devem fomentar o interesse pela leitura por meio do desenvolvimento de ações e projetos com o objetivo de estimular a descoberta do prazer pelo ato de ler, por exemplo, realização de saraus, encontros com autores, clubes de leitura, feiras literárias etc. E desse modo, estar-se-á fazendo com que a população brasileira alcance para si e para a nação um hábito tão dignificante que é o da leitura.