Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 27/10/2020

O baixo índice de leitura é uma mazela que tem como consequência o empobrecimento das opiniões críticas, uma vez que o repertório amplo de leituras contribui para o amadurecimento do conhecimento de cada cidadão. Desse modo, é preocupante que a porcentagem de leitores tenha caído de cinquenta e seis por cento para cinquenta e dois por cento — conforme relata a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Dentre os desafios para combater essa queda, os principais são garantir bibliotecas públicas acessíveis e cultivar o hábito da leitura na população. Portanto, é dever do Estado intervir para que os seus cidadãos evoluam constantemente.

É imperativo abordar, em um primeiro momento, a necessidade de tornar fácil o acesso aos acervos de livros. O manifesto da Organização das Nações Unidas em defesa da biblioteca pública, proclama que tais instituições são essenciais para a promoção da paz, como ocorreu na Colômbia. Lá, nos locais mais pobres e violentos o poder público ergueu bibliotecas permitindo ao povo ocupar um espaço que antes era do crime organizado. Ou seja, essas organizações são estratégias eficientes de recuperação da cidadania, visto que são edifícios erguidos com o objetivo de gerar educação e respeito às múltiplas formas de pensamento. Por isso, tais estabelecimentos devem estar presente —principalmente — em regiões de maior densidade populacional, para que sua taxa de visitação seja elevada.

Sob esse viés, além de superar as distâncias físicas entre os livros e as pessoas, ensinar o hábito da leitura é fundamental. Nesse quesito, a responsabilidade principal é da escola, já que dos cinquenta e dois por cento de leitores citados anteriormente, trinta e quatro por cento afirmaram que alguém os estimulou a gostarem de ler. Sendo assim, deve ocorrer uma mudança na forma como as instituições de ensino apresentam o jovem ao mundo literário, já que a relação estabelecida entre um aluno e um texto tem como objetivo final a realização de uma prova. Entretanto, é a busca pelo aprimoramento ou o prazer pessoal que faz com que o indivíduo se interesse por esse universo.

Diante do exposto, conclui-se que os desafios para fomentar a prática de leitura são: ampliar os números de frequentadores de bibliotecas e ensinara população a apreciação uma obra literária. Para isso, cabe às Secretarias Municipais de Desenvolvimentos Urbanos — por intermédio de verbas governamentais — criar novas bibliotecas públicas em locais onde essa instituição é ausente, para que a distância entre os bairros e esses estabelecimentos não seja um fator que impeça a assiduidade. E, o Ministério da Educação — alterando a sua matriz de ensino — deve montar aulas extracurriculares para a leitura e discussão de livros escolhidos pelos jovens, para que dessa forma ler se torne uma prática semanal e satisfatória. Com essa medidas, as mudanças esperadas serão concebidas com êxito.