Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 26/10/2020

“O homem é a medida de todas as coisas”. Essa máxima, atribuída ao filósofo grego Protágoras, revela o protagonismo humano em que o indivíduo tem o poder de construir sua realidade e seus valores em sociedade. Nesse sentido, referente ao hábito da leitura, ocorre uma intrínseca identificação com a frase do pensador, pois os diversos entraves em torno desse processo vitimizam todo o corpo social. Dessa forma, são inúmeros os desafios para que prática da leitura suceda, no Brasil, o que ocorre devido à falta de incentivo dos pais, desde as infância, além do sistema de ensino que não desenvolve nos alunos esse hábito.

Em primeira análise, convém frisar a extrema importância de destacar como os livros são fontes afirmativas de conhecimento, de modo a gerar no leitor um intenso senso crítico, além de favorecer o aprendizado de conteúdos específicos e o aprimoramento da escrita. Nesse contexto, segundo o sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e posteriormente reproduzidos pelos indivíduos. Entretanto, essa máxima encontram-se deturpada, do contexto atual, quando se analisa a defasagem dos pais em desenvolverem nos filhos à prática da leitura, uma vez que tem sido perdida tanto o padrão de ler para eles, como os próprios pais terem esse hábito, o que antes era extremamente notório no cotidiano das famílias. Sendo assim, os  pais que tem o costume de ler estimulam seus filhos, e isso passa de geração pra geração.

Ademais, são visíveis as lástimas consequências da ausência de leitura, majoritariamente em estudantes com dificuldades em interpretação de texto, como também na ausência de senso crítico. Nessa lógica, o célebre filósofo alemão Friedrich Nietzsche, alude à tecnologia como nociva e decepcionante a humanidade, o que tem se verificado atualmente, haja vista a dependência tecnológica que ela causa, de forma á trazer sérios prejuízos. Em virtude disso, os jovens estão muito ocupados nas redes sociais, o que os levam a interessar mais pelos bate-papos e menos pela leitura, o que dificulta as escolas em inserir os livros nas salas de aula. Dessa maneira, os alunos veem a leitura como obrigação e não como um momento de prazer.

Portanto, faz-se necessária a realização de medidas atenuantes. Assim, cabe as escolas, com o apoio dos pais e responsáveis dos alunos, o papel de incentivarem nas crianças o hábito de ler, desde a infância. - antes mesmo delas começarem a falar-, de modo a estimular a formação de uma mente curiosa e criativa, uma vez que o uso intenso da tecnologia tem prejudicado esse hábito, por meio do controle dos filhos as redes sociais, além de incentiva-los a ler um livro não como obrigação, mas sim como fonte de prazer, para que, assim, haja uma mobilização, a fim de instaurar a prática da leitura.