Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 26/10/2020

A prática da leitura desenvolve o pensamento crítico, a criatividade e a interpretação de fatos, por isso é fundamental para o desenvolvimento cultural e social de uma sociedade. Immanuel Kant dizia “o homem não é nada além daquilo que a educação faz dele” e essa educação não está presente só nas escolas como também na leitura e interpretação de livros. Porém o aumento dos preços oferecidos nas livrarias vem crescendo gradualmente tornando esse meio de cada vez mais de difícil acesso, principalmente aqueles que não tem condições financeiras. Além disso cerca de 44% da população não pratica o hábito de leitura acarretando em mais desafios para enraizar a importância desse ato.

A unificação de impostos proposta pela reforma tributária do governo federal deve elevar os preços dos livros em 20%. O aumento expressivo gera ainda mais apreensão entre editoras e livrarias, visto que 22% dos brasileiros são influenciados pelo valor do livro no momento da compra. Os dois dados foram apurados na pesquisa Retratos da Leitura 2019, feita pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Itaú Cultural. O acesso a leitura se torna mais conturbado quando se trata de jovens favelados, isso porque muitos deles nunca nem frequentaram as escolas e vivem em condições vulneráveis e sem acesso à educação, incentivo de pais e professores e sem condições financeiras para a compra desses livros.

De acordo com os dados da pesquisa retratos da leitura do instituto Pró-livro, 44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro. A média de obras lidas por pessoa ao ano é de 4.96. Desse total, 2.43 foram terminados e 2.53 lidos em partes. Segundo o Luís Antônio Torelli, presidente da câmara brasileira do livro (CBL) o Brasil ficou nos últimos lugares de desempenho no programa internacional de avaliação de alunos (Pisa), a média atual dos estudantes brasileiros é de 407 pontos, muito inferior aos alunos de outros países. Ademais cerca de 30% dos nossos professores também se declaram não leitores, que não incentivam os alunos ao hábito da leitura, transformando o livro apenas como um objeto de fazer uma prova e tirar uma boa nota.

Portanto, é imprescindível o auxílio do Governo, juntamente com o Ministério da Educação para que torne os preços mais acessíveis, investimento em materiais recicláveis para a produção desses livros, também implantar ideias como estantes com livros grátis de doações nas periferias e nos lugares onde os jovens não possuem o acesso à educação e nem condições financeiras. Nas escolas é de extrema necessidade investir na formação de professores e outros profissionais que conectam os alunos aos livros, trazer novas tecnologias como aplicativos que estimulam a leitura e influenciar os alunos a baterem metas na leitura de livros por mês ou por semana que demonstra o valor dessa prática.