Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 06/11/2020
Na série da Globo “Malhação: Viva a diferença” o personagem Douglas recebe como punição realizar serviços à biblioteca da escola onde ele descobre uma grande paixão, a literatura. Fora da ficção, esse hábito apesar de muito importante ainda não está plenamente consolidado no país. Desse modo, lacunas econômicas e o conceito de “habitus” são fatores determinantes para a manutenção dos desafios na prática da leitura no Brasil.
Em primeiro plano, pode-se perceber como impasse à consolidação de uma solução às dificuldades financeiras. Nesse sentido, a obra “Quarto de Despejo” retrata um cenário de pobreza, em que necessidades básicas são prioridade, relegando o entretenimento e o conhecimento a segundo plano, pois estes estão fora do orçamento. Dessa forma, em um país de 14 milhões de desempregados, conforme o Ministério do Trabalho, não há orçamento nas famílias para a compra de livros, elemento essencial no incentivo à prática da interpretação textual e formação educacional. Nessa perspectiva, é preciso prioritariamente fornecer condições, para que, seja possível vencer o lamentável cenário da falta de oportunidades.
Ademais, a ausência do “habitus” é um entrave na solução da problemática. Segundo Pierre Bourdieu, esse conceito caracteriza a força e a importância que o hábito próprio ou familiar exerce no comportamento humano. Sob essa ótica, aqueles que estão ao redor do indivíduo possuem papel fundamental na construção do costume de ler, pois o contato direto e constante molda a atuação desses cidadãos, como comprova a plataforma “Edição do Brasil” só 70% dos próprios educadores se declaram leitores, refletindo em uma população de 66% que não lê. Nesse contexto, primeiramente deve-se mudar todo o desestimulante contexto ao redor do ser humano.
Portanto, é necessário que as ONG’s e os civis enviem ao Senado a proposta de criação da redução social das taxações e preços de livros, em que famílias com renda abaixo de dois salários mínimos possam receber descontos proporcionais a renda, por meio de uma divulgação nas redes sociais e nas instituições públicas de uma petição, em que será possível expressar e acatar a vontade da maioria populacional. Feito isso, será possível ampliar a estrutura de incentivo à prática literária para, assim, verdadeiramente promover benefícios a todos.