Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 30/10/2020

A obra “Dom Quixote”, do escritor Manuel Cervantes, retrata um personagem que passa grande parte da sua vida usufruindo de obras da sua época. No entanto, diante do atual cenário nacional no que tange a prática literária, a perspectiva do autor mantêm-se apenas no plano literário. Nesse sentido, é notório que a falta de incentivo à leitura em ambiente familiar e a negligência estatal são alguns dos desafios que interferem o progresso dessa atividade.

A priori, é essencial abordar que os brasileiros tem um real desinteresse pela literatura, e o pouco estímulo da família atua como catalisador nesse impasse. Partindo desse pressuposto, o sociólogo Emille Durkheim definiu que o ser humano pode ser comparado a um organismo vivo por apresentar mecanismos integrados. Nesse viés, a assertiva adotada pelo autor configura-se concretizada no âmbito brasileiro, haja vista que a família tem um papel fundamental e está intrinsecamente ligada ao desenvolvimento do hábito de leitura do indivíduo. Dessa maneira, a ausência de incentivo dos responsáveis desencadeia o desinteresse pelo mundo literário e afeta a formação de cidadãos críticos.

Em segunda instância, Thomas Hobbes definiu que o Estado é o agente responsável por garantir aos cidadãos seus direitos imprescindíveis. Contudo, a escassez de bibliotecas nas escolas demonstra o descaso do Estado, a qual caracteriza-se um entrave para a execução da leitura. Nessa ótica, é visível que a escassez de espaços de leitura nas escolas impede a autonomia para o aprendizado e o gosto por esse hábito, o que contribui, assim, para o surgimento de uma cultura que marginaliza o mundo literário. Sendo assim, é evidente a substancialidade de ações mais promissoras dos agentes responsáveis, pois, segundo dados do INEP, cerca de 55% dos colégios públicos não têm bibliotecas.

Com isso, diante dos fatos mencionados, é imprescindível atitudes que promovam uma mudança nesse cenário. Primeiramente, cabe ao Ministério da Educação, responsável pela promoção da educação pública nacional, em parceria com as escolas, elaborar projetos que facilite o acesso à leitura por parte dos alunos, por meio da disponibilidade de recursos para a criação de bibliotecas com os diversos estilos de obras, e a obrigatoriedade do ensino da Literatura nas instituições de ensino, a fim de incentivar a adoção das leituras habituais. Ademais, o Governo Federal juntamente com os meios midiáticos, devem promover a produção de filmes homônimos, cujo público-alvo são os pais, que abordem a necessidade de estimular seus filhos a ser leitores. Diante disso, se tais medidas forem postas em prática, a assertiva do filósofo Hobbes irá se materializar.