Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 29/10/2020
A obra “A menina que Roubava Livros” apresenta, no contexto da Alemanha nazista, a Liesel, uma jovem que perdeu sua família para a guerra e que estabelece, graças ao incentivo do seu pai adotivo, as bases necessárias para se tornar uma cidadã crítica por meio da leitura. Entretanto, no cenário hodierno, nota-se um baixo número de leitores ávidos, e assim, não há como negar os malefícios de tal comportamento nas gerações sucessivas da sociedade brasileira. Isso ocorre, principalmente, devido à despreparação das instituições de ensino básico atrelada à insuficiente atuação governamental. Diante disso, faz-se necessária a adoção de medidas capazes de minimizar esse revés.
Convém ressaltar, primordialmente, o papel decisivo da escola na formação plena do indivíduo, desde a primeira infância ao termino do Ensino Médio, uma etapa imprescindível para obtenção de hábitos e habilidades fundamentais. Infelizmente, imbróglios educacionais têm prejudicado umas das competências de maior valor para a cidadania: a prática da leitura. Diante disso, torna-se evidente que esse aspecto não está sendo avaliado de forma correta e, consequentemente, está acarretando a defasagem do educando. Esse fato contrasta com o dado do PISA, Programa Internacional de Avaliação de Alunos, o qual estipula que o Brasil só alcançará o nível de leitura dos países desenvolvidos em 250 anos. Logo, é incontrovertível que essa conjuntura irá se dissolver, tão somente, quando houver maior investimento na técnica de ensino.
Além disso, a tecnologia é um cofator indispensável na análise comportamental da nação quanto a disponibilidade para ler notícias, artigos científicos, livros digitais etc. De acordo com pesquisa divulgada na Folha de São Paulo, o Brasil ocupa o segundo lugar em um ranking mundial entre os países que mais usam redes sociais. É certo que, em decorrência dessa circunstância, o tempo cedido para leitura de conteúdos com engajamento certificado é diminuto. As mazelas desse proceder são expostas no pensamento do escritor Monteiro Lobato, o qual afirma que “quem mal lê, mal ouve, mal fala, mal vê".
Portanto, em vista dos fatos elencados, é mister que o Estado deva tomar providências para superar o quadro atual. Dessarte, urge que o Ministério da Educação crie um programa que forneça cursos voltados aos educadores, para que esses possam instruir a prática da leitura nos seus alunos de forma eficaz. Essa ação deve ocorrer por meio da criação de grupos de leituras conjuntos com os responsáveis dos alunos e a comunidade local de cada instituição, bem como recomendações literárias publicadas através das redes sociais, com o objetivo de atingir um público diverso. Feito isso, a prática da leitura no Brasil aproximar-se-á da vivacidade expressa na jovem Liesel.