Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 28/10/2020

No final do século passado, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. À vista disso, por ser bem recebido e impressionado com o potencial da nova casa, Zweig escreveu um livro cujo título é repetido até hoje, “Brasil, País do Futuro”. Entretanto, quando se observa os desafios acerca da prática da leitura no País, percebe-se que as ideias do autor não saíram do papel. Em síntese, esse cenário antagônico é fruto tanto de questões políticas estruturais, quanto do aumento no número de analfabetos funcionais em território nacional.

Precipuamente, é fulcral pontuar que essas circunstâncias derivam da baixa atuação dos setores governamentais. Hodiernamente, ocupando a nona posição na economia mundial, seria racional acreditar que há no Brasil um sistema educacional e projetos públicos que estimulem a leitura entre as pessoas. Contudo, a realidade é justamente o oposto, uma vez que, no ano de 2020 o ministro da economia, Paulo Guedes projeta aumentar os impostos sobre os livros, e o resultado desse contraste é claramente refletido na diminuição da prática da leitura entre toda a sociedade. Logo, é inadmissível que no Brasil, país que já dispõe de altas taxas de imposto, não haja, na mesma proporção, programas eficientes que estimulem a leitura e preservem o lazer e o bem-estar de seus cidadãos.

Ademais, é imperativo ressaltar a expansão no número de analfabetos funcionais na nação como promotor do problema. Segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Pró-Livro, cerca de 50% dos entrevistados declararam não ler livros por não conseguirem compreender seu conteúdo, embora sejam tecnicamente alfabetizados. Nesse sentido, são chamados de analfabetos funcionais os indivíduos que, embora saibam reconhecer letras e números, são incapazes de compreender textos, bem como realizar operações matemáticas, o que acaba por prejudicar o habito de leitura e consequentemente sua visão de mundo. Portanto, torna-se necessário refletir sobre a situação, assim como os impactos nefastos e irreversíveis que essa realidade nociva ocasiona sobre todo o corpo social.

Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Para isso, com o intuito de mitigar o problema, necessita-se que o Ministério da Educação entre em acordo urgentemente com o Ministério da Economia e impeça novos impostos sobre os livros. Outrossim, o Governo deve ainda desenvolver métodos que priorizem o letramento e incentivem a hábito de ler desde a infância, considerando o trabalho conjunto entre pais e professores, envolvendo não apenas a análise tecnicista de textos, mas também o desenvolvimento da criticidade e capacidade de elaborar opiniões próprias diante dos conteúdos. Enfim, a leitura deve ser universalizada, e so assim, a convicção de Zweig acerca do Brasil se tornará uma realidade no presente.