Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 29/10/2020
Segundo a Lei da Inércia de Isaac Newton, os corpos tendem a permanecer estáticos quando não há forças atuando sobre eles. Dessa forma, fora da Física, é possível criar um paralelo entre essa lei e os hábitos de leitura dos brasileiros, dado que essa prática enfrenta diversos desafios para perpetuar-se no país. Desse modo, evidencia-se uma problemática, em virtude da carência de incitação das entidades governamentais e da sociedade e das consequências que isso pode gerar.
Antes de tudo, a inexistência de incentivo do Estado e dos cidadãos à leitura é um grande desafio para a difusão desse hábito na nação. Nesse contexto, a máxima do filósofo chinês Confúcio de que “Não corrigir nossas falhas é o mesmo que cometer novos erros” cabe perfeitamente. Assim sendo, o governo não estimula a leitura, pois os livros são produtos caros que têm grandes cargas tributárias e, nas escolas, a oferta deles é precária, com a maioria das obras disponibilizadas sendo didáticas, as quais não despertam o interesse dos alunos. Outrossim, a população mais madura, diversas vezes, despreza esse ato e não incita os mais jovens a ler, visto que eles não foram inspirados durante a juventude e criam esse ciclo vicioso, no qual essa atividade não é impulsionada de nenhuma forma.
Ademais, a escassez de encorajamento de consumo de obras literárias pode gerar graves consequências para as pessoas. Nesse sentido, o mito da caverna do filósofo Platão descreve a situação de indivíduos que se recusavam a observar a verdade, porque tinham medo de sair de sua zona de conforto. Nessa perspectiva, a ausência de leitura pode gerar o fenômeno da alienação, o qual torna os cidadãos alheios em relação a si mesmos e ao meio em que vivem, ou seja, eles se tornam escravos intelectuais de determinadas instituições sociais ou de certas ideologias. Em suma, ler estimula a interpretação e a visão bilateral das situações e, com a falta dessas habilidades, os indivíduos podem se tornar facilmente manipuláveis.
Infere-se, portanto, que a prática de consumir obras literárias é de suma importância para a formação de cidadãos e deve ser estimulada. Assim sendo, o Ministério da Cidadania, juntamente ao apoio das entidades escolares, deve, por meio de verbas públicas, criar um programa de leitura e implantá-lo em escolas de todo o país. Dessa maneira, esse programa contaria com um acervo de livros destinados ao público jovem, além de ofertar espaços agradáveis para a atividade e exibir palestras frequentes sobre a importância dos livros e acerca das consequências que a ausência deles pode gerar. Logo, os educandos passariam os conhecimentos adquiridos para seus respectivos responsáveis e abrangeriam diversos setores sociais. Em síntese, a partir dessas ações, esses desafios poderiam ser minimizados na nação brasileira.