Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 29/10/2020

Na visão de Thomas Hobbes, conhecimento é poder. Sob perspectiva adversa a do filósofo, a escassez do hábito de leitura tem tornado a sociedade brasileira alienada, desinformada e, até mesmo, ignorante. Nesse sentido, o desenvolvimento do costume de ler enfrenta desafios, tais quais o desinteresse pela leitura e a falta de acessibilidade aos livros. Desse modo são prementes estratégias para mitigar os empecilhos para garantir o hábito de ler desse Brasil “não literário”.

Em primeira análise, o filme “O contador de histórias” retrata a vida de Roberto Carlos, uma criança considerada “um caso perdido”, mas, que teve a sua vida transformada por meio da leitura. Dito isso, o Roberto perdido antes de encontrar-se com os livros é uma metonímia que representa diversos brasileiros vítimas da ausência de estímulo ao hábito de ler no país. De fato, o desincentivo pela leitura ocorre desde a infância, inclusive no âmbito escolar, em que a relação dos jovens com a literatura é alicerçada na obrigação e não na curiosidade. Ademais, com a rapidez de acesso a informações, vários jovens tornaram-se imediatistas e reducionistas, até mesmo em relação à leitura, ou seja, são impacientes para ler e compreender os livros. Assim, é inegável o desestímulo pela leitura como um empecilho para um Brasil mais literário, visto que promove uma postura acomodada, em detrimento da criticidade e reflexão, virtudes imprescindíveis para uma sociedade pensante.

Em segunda análise, segundo o sociólogo Bauman as “instituições zumbi” são aquelas que não cumprem suas funções sociais. Sob essa ótica, na medida em que as bibliotecas públicas não dispõem de um acervo de livros variado que contemple todas as faixas etárias, nem profissionais capacitados para incentivar a leitura, tornam-se instituições zumbi. Nesse viés, a falta de acessibilidade à leitura priva a população da construção do hábito literário e todos os seus benefícios – criticidade, ampliação de conhecimentos e até liberdade. Sob esse prisma, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie afirma que libertou-se e desenvolveu a sua criticidade, tornando-se mais segura, quando encontrou narrativas com as quais se identificava, após muito tempo lendo histórias que não representavam sua cultura e identidade. Logo, é indubitável a falta de acessibilidade aos livros e à cultura do país como desafio para o estabelecimento de uma sociedade literária no Brasil.

Infere-se, portanto, que o hábito de ler enfrenta desafios, como o desinteressee e a falta de acessibilidade aos livros. Assim, faz-se mister que o Ministério da Educação promova campanhas por meio de propagandas que incentivem a leitura e visitas às bibliotecas públicas com o fito de desfazer a mentalidade da geração jovem acomodada e não questionadora sobre mundo e fazer o Brasil avançara como um país literário e pensante.