Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 30/10/2020
Na visão de Thomas Hobbes,conhecimento é poder. Sob perspectiva adversa a do filósofo, a escassez do hábito de leitura tem tornado a sociedade brasileira alienada, desinformada e, até mesmo, ignorante. Nesse sentido, a prática de leitura enfrenta desafios, tais quais o desinteresse dos jovens pelas obras literárias e a falta de acessibilidade aos livros. Desse modo, são prementes estratégias para superar os obstáculos que impedem o desenvolvimento do hábito de ler nesse Brasil não literário.
Em primeira análise, o filme “O contador de histórias” retrata a vida de Roberto Carlos, uma criança considerada “um caso perdido”, mas que teve a sua vida transformada para melhor por meio da leitura. Dito isso, o Roberto perdido antes de encontrar-se com os livros, é uma espécie de metonímia que representa diversos brasileiros vítimas da ausência de estímulo do hábito de ler no país. De fato, o desincentivo pela leitura ocorre desde a infância e adolescência, inclusive no âmbito escolar, em que a relação dos jovens com a literatura é alicerçada na obrigação e não na curiosidade. Ademais, com a rapidez de acesso às informações, vários jovens tornaram-se imediatistas e reducionistas, até mesmo em relação à leitura, ou seja, são impacientes para ler e compreender os livros. Assim, é inegável o desestímulo da leitura como empecilho para um Brasil mais literário, já que promove uma postura acomodada, em detrimento da criticidade e reflexão, imprescindíveis para uma sociedade pensante.
Em segunda análise, de acordo com o sociólogo Bauman configuram-se como “instituições zumbi” aquelas que não cumprem suas funções sociais. Sob essa ótica, muitas bibliotecas públicas do país se tornam “instituições zumbi”, pois não dispõem de um acervo variado que contemple todas as faixas etárias, nem de profissionais capacitados para incentivar a leitura. Nesse viés, a falta de acessibilidade às obras literárias priva a população da construção da prática da leitura e todos os seus benefícios – desenvolvimento de criticidade, ampliação de conhecimentos e até liberdade. Sob esse prisma, a escritora nigeriana Chimamanda Adichie afirma que se libertou, desenvolveu a criticidade e ficou mais segura quando encontrou narrativas com as quais se identificava, após muito tempo lendo histórias que não representavam a sua cultura e identidade. Logo, é indubitável a falta de acessibilidade aos livros e à cultura do país como desafio para o estabelecimento de uma sociedade literária no Brasil.
Depreende-se, portanto, que a prática da leitura enfrenta desafios, como o desinteresse e a falta de acessibilidade aos livros. Assim, é mister que o Ministério da Educação promova campanhas por meio de propagandas que incentivem a leitura e visitas às bibliotecas públicas, com o fito de desfazer a mentalidade da geração jovem acomodada e não questionadora sobre o mundo e fazer o Brasil avançar como um país literário.