Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 30/10/2020
Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. No entanto, o que se observa na realidade contemporânea é o oposto do que o autor prega, uma vez que os desafios para a prática da leitura no Brasil apresentam barreiras, as quais dificultam a concretização dos planos de More. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de incentivo a prática da leitura, quanto dos preços exorbitantes dos livros. Diante disso, torna-se fundamental a discussão desses aspectos, a fim do pleno funcionamento da sociedade. Nesse sentido, diante de uma realidade instável e temerária que mescla conflitos nas esferas social e intelectual, analisar seriamente as raízes e os frutos dessa problemática é medida que se faz imediata.
Precipuamente, é fulcral pontuar que os desafios para a prática da leitura no Brasil derivam da baixa atuação dos setores governamentais, no que concerne à criação de mecanismos que coíbam tais recorrências. Segundo o pensador Thomas Hobbes, o estado é responsável por garantir o bem-estar da população, entretanto, isso não ocorre no Brasil. Devido à ausência de atuação das autoridades, a falta de incentivo a prática da leitura no Brasil gera consequências como o analfabetismo funcional. Desse modo, faz-se mister a reformulação dessa postura estatal de forma urgente.
Ademais, é imperativo ressaltar os preços exorbitantes dos livros como promotor do problema. De acordo com o G1 há um projeto de reforma do governo federal que prevê cobrança de contribuição para o setor de livros. O novo tributo pode encarecer as obras em 20%. Partindo desse pressuposto, caso a primeira etapa da reforma tributária seja aprovada, o setor perde a isenção de recolhimento de contribuição que tem atualmente, tornando os livros um artigo de luxo. Tudo isso retarda a resolução do empecilho, já que os preços exorbitantes dos livros contribuem para a perpetuação desse quadro deletério.
Assim, medidas exequíveis são necessárias para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Dessarte, com o intuito de mitigar o empecilho, necessita-se, urgentemente, que o Tribunal de Contas da União direcione capital que, por intermédio de professores e empreendedores, será revertido em incentivos diários a leitura, através de doações de livros para crianças e adolescentes. Desse modo, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do óbice e a coletividade alcançará a “Utopia” de More.