Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 30/10/2020

Desde o advento da popularização das mídias sociais, foi possível observar uma diminuição do hábito de leitura entre os brasileiros, em razão da substituição de atividades durante o tempo livre de um indivíduo. Deste modo, cada vez mais, a prática da leitura se torna um desafio para a população, o que representa um significativo prejuízo ao desenvolvimento humano, no que se refere a acesso a cognições humanas. Este indesejável fenômeno ocorre tanto pela falta de incentivo das escolas e da sociedade, em detrimento de outras opções de passatempo mais prazerosas, tanto pela custosa acessibilidade à materiais de leitura.

Conforme uma pesquisa realizada pelo Instituto Pró Livro, de 2015 para 2019, a porcentagem de leitores no Brasil caiu de 56% para 52%. O estudo relacionou estes dados com a maior expressividade de atuação da internet na vida das pessoas, que apresenta um alvo de maior interesse do que os mais variados tipos de livros, impactando diretamente com o aprimoramento vocabular, conhecimento cultural e desenvolvimento do pensamento crítico. Apesar de todos os benefícios listados oriundos da leitura, a educação brasileira não realiza esforços suficientes para superar o quadro decadente. Além da falta de incentivo e interesse por parte das pessoas, as mais recentes atuações do Ministério da Economia obstam ainda mais a desejada ampliação de leitores do território nacional.

Desde a primeira etapa da reforma tributária proposta pelo governo federal, encaminhada pelo ministro da Economia Paulo Guedes, o mercado livreiro vive momentos de intensa apreensão. O novo imposto previu tributação de 12% sobre os livros, o que desestimula a compra do produto em razão do seu encarecimento e aumento da inacessibilidade para parcelas da população que mais carecem de recursos financeiros. Este fato pode vir a causar um acontecimento danoso para a sociedade em geral: a elitização dos livros, ou seja, a transformação de livros em artigos classistas.

Destarte, torna-se imprescindível a adoção de medidas que solidifiquem políticas de incentivo a leitura. Logo, o Ministério da Cidadania, que cumpre as responsabilidades do extinto Ministério da Cultura, juntamente com o Ministério da Educação, devem, por meio de verbas públicas, investirem em projetos de estímulo a leitura. Políticas de incitação a leitura promovem a educação e conhecimento, sendo que existem já diversas pesquisas científicas que ressaltam a importância da mesma e descrevem processos de troca de livros entre os cidadãos, que não são praticadas pelo motivo de que demandam de uma pequena quantidade de verba para o funcionamento, que está a encargo governamental.