Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 10/11/2020
A obra literária “A menina que roubava livros” tem como protagonista a personagem Liesel, uma menina que cultiva a adoração por livros e encontra na literatura uma forma de refúgio mental para situação vivida durante a guerra. Fora da ficção, entretanto, no Brasil contemporâneo, a prática da leitura não se faz presente na realidade de muitos brasileiros, a qual figura um quadro preocupante para o desenvolvimento do país. Isso se evidencia não só pelo avanço digital como também pela precariedade no ensino escolar.
Em primeira análise, destaca-se a expansão dos aparelhos tecnológicos como impulsionadores do impasse. De acordo com uma pesquisa divulgada pelo jornal Folha de São Paulo, a cada vinte pessoas, quinze preferem como forma de entretenimento os meios digitais a lerem um livro, visto que a natureza humana tende a escolher aquilo lhe consuma menos energia,que seja mais fácil e dê mais prazer, ao invés de praticar a leitura, que , muitas vezes, é vista como algo chato e entediante por uma parcela da sociedade em razão da ausência de incentivo à leitura. Desse modo, tal panorama retarda a resolução da problemática, já que o avanço digital favorece a perpetuação desse quadro nocivo.
Em segunda análise, evidencia-se o atraso na didática escolar como um dos agravantes para persistência do empecilho. Segundo a Constituição Federal de 1988 – norma de maior hierarquia do sistema jurídico brasileiro – assegura a todos os indivíduos o direito à educação e ao bem-estar. Embora seja um privilégio garantido constitucionalmente, o que se observa no cenário atual é o oposto ao estabelecido, uma vez que a metodologia de ensino em grande parte das escolas brasileiras prioriza repassar o conteúdo aos alunos, esquecendo, infelizmente, de incentivar a prática à leitura e, assim, não contemplando um privilégio assegurado pelo Carta Magna. A esse respeito, é intolerável que, em um país com uma Constituição dita cidadã, ainda haja esse tipo de descaso com a população.
Torna-se imprescindível, portanto, a efetivação de medidas para a resolução da problemática que envolve a prática da leitura no Brasil. Nesse viés, o Ministério da Educação, juntamente com os governos estaduais, devem promover debates sobre a importância dos benefícios da leitura para formação intelectual do indivíduo e discutir projetos voltados para a reformulação da metodologia de ensino com fito de incentivar e estimular os alunos a desenvolverem o hábito de ler, por meio de programas educativos ministrados por especialistas na área da educação, com auxílio de palestras e propagadas divulgadas nos horários nobres dos veículos comunicativos. Espera-se, com isso, repassar para a sociedade formas de minimizar essas eventualidades e, assim, alcançar materialização da obra literária “A menina que roubava livros” na sociedade brasileira.