Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 30/10/2020
O mito da caverna, alegoria escrita por Platão, explica a evolução do processo de conhecimento. Segundo o autor, os seres humanos se encontram prisioneiros de uma caverna, da qual estão habituados somente a ter uma ilusão do que veem como se fosse a verdadeira realidade. De maneira análoga ao presente, a questão dos desafios para a prática da leitura, no Brasil, pode ser bem representada pelo mito da caverna, visto que esse é um grande problema que vive às sombras da sociedade. Em razão da falta de políticas públicas para a democratização, bem como a falta de debates e incentivos a leitura.
Em primeira análise, é necessário ressaltar que a falta de políticas públicas de incentivo à leituras nas escolas desde a primeira infância coopera para um dos principais desafios da leitura. À luz disso, o filósofo iluminista Jean-Jacques Rousseau afirma que o Estado é responsável por viabilizar medidas para o bem-estar social, uma vez que o Estado se isenta de tais medidas ocorre a quebra do contrato social, elaborado junto a sociedade. Desse modo, uma vez que o Estado deixa de aplicar políticas eficazes que coopere para a democratização da leitura dentro das escolas, esse contribui cada vez mais para a elitização da cultura da leitura. Diante disso, faz-se necessária a revisão da postura estatal.
Além disso, faz-se mister destacar que a falta de debates sobre a importância do hábito da influência da leitura coopera decisivamente na consolidação da problemática. Consoante a esse pensamento, Hurgen Habermas, em sua teoria da ação comunicativa, explicita que a linguagem é uma verdadeira forma de ação. Nesse contexto, a sociedade é falha quando banaliza a importância da cultura da leitura nas escolas e em casa, formando jovens e adultos desinteressados na leitura. Dessa forma, para que a deficiência no hábito da leitura seja solucionada, é necessário dialogar sobre sua importância e influenciar esses hábitos desde a primeira infância.
Infere-se, portanto, que medidas são necessárias para resolver o impasse. Nesse viés, o Ministério da Educação, coordenado pelo governo, deve investir em políticas públicas eficazes para combater a problemática e retira-la das sombras da sociedade, por meio de um projeto de lei a ser entregue à Câmara dos Deputados. Nele deve constar que por meio das políticas públicas investidas pelo Estado deve haver a criação de campanhas de incentivo a leituras dentro das escolas, bem como a criação de uma ‘‘feira de livros’’ que contribua para a democratização do acesso, com fito de diminuir os desafios para a prática da leitura e tornar essa acessível a todas as classes. Sabendo que o Estado tem papel essencial na resolução desse impasse.