Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 30/10/2020

Impasses da leitura no Brasil contemporâneo

No longa metragem  “Matilda”, é perceptível que a protagonista detém um ávido interesse pela leitura, por conseguinte, a distinguindo dos demais personagens. Fora da ficção, percebe-se que diversos desafios impactam o ato de ler no Brasil, como o analfabetismo, os quais afastam, cada vez mais, os brasileiros da prática tão destacada por Matilda.

Primeiramente, ao se tratar sobre os impasses que dificultam a difusão da leitura no país, nota-se que o Estado,  através do Ministério da Educação, influi na problemática em pauta, visto que o currículo literário paradidático em vigor, regido pela Lei de Bases e Diretrizes da Educação, apresenta em sua matriz obras clássicas que divergem da variedade gramatical da atualidade, como Memórias Póstumas de Brás Cubas de Machado de Assis. Esse fator, em conjunto com a linguagem rebuscada presente nas obras, desmotiva estudantes a lerem, tendo essa realidade demonstrada no documentário “Pro Dia Nascer Feliz”.

Outrossim, o analfabetismo também é um obstáculo, posto que o exercício de ler é intangível a 29% dos brasileiros, quantitativo de analfabetos do país segundo o Instituto Paulo Montenegro. Logo, mídias de massa, como progamas de TV aberta, são atrativas a esse contingente da população por conta de sua fácil compreensão, desvalorizando o papel da leitura dentre esse grupo.

Ademais, os livros são limitados a uma parcela privilegiada, uma vez que obras literárias não são acessíveis aos indivíduos de baixa renda. Dessa forma, a crise econômica vigente, que afetou empresas do ramo como a Livraria Saraiva, repercutiu no estoque e preços dos produtos, portanto, limitando ainda mais o alcance da leitura, especialmente às minorias em situação carente.

Considerando o exposto, torna-se necessário que o Estado, agente responsável pelo bem-estar social, atualize a base educacional paradidática, continuando a manter clássicos e contemplando novos exemplares de diversas temáticas, por meio da criação de emendas constitucionais, a fim de estimular o ato de ler a todos, mesmo com preferências distintas. Além disso, é preciso que a iniciativa privada, como editoras, fomentem projetos de doações de livros à população menos abastada, mediante incentivos monetários a produção extra destinada para esse fim, com o objetivo de aumentar o quantitativo de acessibilidade dessa prática. Desse modo, o Brasil atingirá a disposição à leitura, assim como Matilda.