Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 02/11/2020
Na obra “Farenheight 451” , é destacada a importância que o livro possui para a transformação coletiva e individual de um ser ou comunidade ao auxiliar o protagonista a superar os entraves e consequências de um governo autoritário. Fora da ficção , no entanto, é sabido que grande parte da sociedade brasileira não pratica o hábito da leitura. Esse fato deve-se a desafios relacionados à falta de estímulos para essa atividade e aos preços exorbitantes desses artigos, que causam uma elitização do produto.
A princípio, é imprescindível destacar que um dos fatores para a baixa adesão à leitura é a carência de estímulos. Nesse sentido, o sociólogo Pierre Bourdieu emprega o conceito de “habitus” para designar o conjunto de atitudes e ações que se constituem típicas de uma determinada nação. Sob essa perspectiva, nota-se que no “habitus” do brasileiro está a negligência da dinâmica leitora, efeito da falta de investimentos e encorajamento dos governantes centrais, os quais não promovem o desejo da população por procura de informação ou conhecimento.
Ademais, convém apontar que outro desafio para superar a barreira da prática insuficiente da leitura é o preço demasiado alto das obras literárias. Nessa perspectiva, o filósofo Stuart Mill prega que é dever do Estado promover a maximização dos benefícios sociais ao maior número de pessoas, o que inclui democratizar o acesso ao livro. Contudo, percebe-se, pelo cenário atual do país, uma postura intransigente dos governantes em executar o que foi preconizado pelo filósofo, ao não criarem maneiras eficientes de reduzir o custo final e ao aumentar a sobretaxação sobre esses artigos.
Portanto, cabe ao Estado estimular a promoção de subsídios às editoras produtoras de livros, por meio de um projeto de lei a ser aprovado pela Câmara dos Deputados. Tal emenda deve contar com isenções de impostos relacionadas às instalações e manutenção dos espaços físicos de produção, aliada a um auxílio econômico com o objetivo de a baratear. Com isso, evita-se tanto o preço insustentável do livro, quanto possíveis desestímulos advindos dessa dinâmica.