Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 31/10/2020
O livro “Fahrenheit 451” retrata uma sociedade em que os bombeiros, em vez de apagar incêndios, os iniciam, queimando livros, já que estes eram considerados maléficos, o que cria uma população ignorante, sem pensamento crítico. Embora completamente distópica, tal obra evidencia um problema deveras grave do mundo moderno, em especial no Brasil: a falta de leitura. É, pois, explícita a importância da literatura na formação individual, bem como a urgência de seu incentivo na sociedade brasileira.
É senso comum que a leitura contribui em demasia com o desenvolvimento intelectual do ser humano. Na obra “Capitães de Areia”, de Jorge Amado, por exemplo, a qual conta a história de uma gangue de crianças na Bahia, o personagem “Professor” é o único capaz de ler, sendo também o primeiro a sair da precária situação em que vive, quando se muda para o Rio de Janeiro a fim de seguir sua carreira intelectual. Assim, é possível concluir que a falta de leitura contribui para a existência não somente da elite econômica, mas também de uma elite cultural, que pode facilmente manipular a outra parcela inculta da população, na qual o senso crítico e o capital intelectual são escassos, criando um povo alienado e dependente de tal elite.
Outrossim, segundo a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil de 2019, ao passo que 67% dos membros da classe social A são considerados leitores, apenas 38% das classes D e E o são. Assim, evidencia-se, a disparidade nas classes sociais dos leitores, o que mescla as já citadas elites econômicas e culturais, duplicando a opressão sofrida pelos desfavorecidos, bem como faz-se ainda mais urgente o foco das políticas públicas relacionadas com a literatura nas classes sociais mais baixas.
Portanto, é mister que governo federal, em parceria com os ministérios da educação e da cidadania, crie campanhas que incentivem a leitura, e distribua-as principalmente em regiões periféricas, além de que faça investimentos na construção de novas bibliotecas públicas, a fim de democratizar o direito à leitura. Ademais, devem ser criadas novas olimpíadas de literatura para alunos do Ensino Médio, e incentivada a participação em tais, oferecendo não somente prêmios em dinheiro, mas também validação para o currículo dos vencedores. Feito isso, evitar-se-ia um país tal qual ao retratado em “Fahrenheit 451”, e resolver-se-ia um dos maiores problemas da sociedade brasileira.