Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 02/11/2020
A cinesia do caminho
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito ao ensino e ao bem-estar social. Conquanto, a carência do ensino de leitura, no Brasil, impossibilita que alguns cidadãos desfrutem desse direito universal na prática. Nessa perspectiva, ao invés de agir para modificar a situação, as escolas e o ambiente familiar acabam por contribuírem no impasse dos desafios para a prática da leitura.
De modo geral, a educação é o principal fator no desenvolvimento de um país. Hodiernamente, o Brasil está entre as quinze melhores posições na economia mundial - dados divulgados pelo jornal O Globo, nesse sentido, seria racional acreditar que a nação possui um sistema público de ensino eficiente. Contudo, a realidade é justamente oposta, e o resultado desse contraste é claramente refletido na parcela da população que não possui o hábito de leitura, o qual deveria ser praticado desde o início da escolaridade. Assim, desenvolve-se uma sociedade alienada, a qual propaga inverdades, uma vez que a falta de embasamento está diretamente ligada a carência do costume de leitura. Ademais, a falta dessa também é prejudicial à saúde mental, como diz o filósofo contemporâneo Leandro Karnal: no envelhecimento a solidão é mais difícil para aqueles que não lêem. Ou seja, a leitura é companheira e trás ensinamentos sobre si mesmo.
Em segunda análise, é preciso salientar o ambiente familiar como impulsionador dos desafios da prática de leitura. Nesse contexto, vale ressaltar o livro “Quarto de Despejo, diário de uma favelada”, onde a autora Maria Carolina de Jesus é catadora de lixo, ela lê apenas os jornais jogados fora por outrem, escreve em papéis catados no lixão e nas ruas, assim, evidencia a triste realidade de morar na favela. Desse modo, fica evidente que no Brasil há muito mais entraves para que todos os cidadãos possam ter momentos de leitura e criar o hábito dela, uma vez que as condições de acesso se limitam, e a parcela da população em situação precária é significativamente alta perante a totalidade brasileira, visto à partir do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ante o exposto, fica evidente a necessidade de uma tomada de decisões para modificar o cenário da leitura no Brasil. Dessa maneira, urge que o Poder Executivo invista nas prefeituras das cidades e no Ministério da Educação, por meio de verbas governamentais, para que esses promovam locais gratuitos de adesão à leitura, com pessoas qualificadas para trabalhar no ambiente, visando o alcance de todo o território nacional. Assim, poder-se-á mitigar os desafios para a prática de leitura no Brasil.