Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 02/11/2020
No século XV, com a invenção da prensa de tipos móveis de Gutenberg, a democratização do acesso à leitura revolucionou a produção e difusão do conhecimento pelo mundo. Em contrapartida, no Brasil contemporâneo, a alarmante redução da prática de leitura entre os jovens impacta negativamente sobre esse relevante meio de expressão artístico-cultural. Isso se deve não só ao descaso governamental como à negligência das instituições de ensino para com essa questão.
Deve-se pontuar, de início, que a retração da procura por livros e do hábito de ler derivam, em parte, da escassez de subsídios estatais para o setor, o que reduz sua competitividade perante as plataformas virtuais. Segundo o economista John Keynes, é dever do Estado regular o mercado a fim de garantir o equilíbrio e o bem-estar social, entretanto isso não ocorre no Brasil. Desse modo, os altos impostos e a disponibilização de versões de livros e resumos na internet, muitas vezes de forma gratuita, impedem a rentabilidade do setor livreiro, o que tem levado a sucessivas falências nas principais lojas e distribuidoras do país. Com isso, o desemprego e o desestímulo à produção cultural são consequências que tornam tal realidade insustentável.
Ademais, faz-se mister ressaltar a ausência de programas de incentivo à leitura nas escolas como um potencializador dessa problemática. De acordo com o educador brasileiro Paulo Freire, “se a educação sozinha não pode mudar a sociedade, tampouco sem ela a sociedade muda.” Partindo desse pressuposto, percebe-se que o atual modelo educacional essencialmente tecnicista e pragmático, baseado apenas na exposição de conteúdo, desmotiva ainda mais os discentes em buscarem conhecer as obras literárias, contribuindo para a perpetuação desse quadro deletério.
Dessarte, medidas estratégicas devem ser adotadas a fim de mitigar os desafios para a prática da leitura no Brasil. Para isso, necessita-se que o Ministério da Educação promova ampliações no conteúdo e carga horária das disciplinas de literatura no ensino básico, incluindo a proposição de listas anuais de obras a serem lidas pelos alunos. Tal ação deve ser viabilizada por meio do financiamento estatal de livros em quantidades adequadas para as escolas públicas e subsídios para aquisição pelas instituições privadas. Espera-se, com isso, incentivar a prática da leitura entre os jovens e garantir a preservação desse importante meio de difusão de cultura e conhecimento.