Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/11/2020

No século XVIII, houve um avanço no pensamento científico com o surgimento do princípio de Le Chatelier, o qual beneficiou, de forma imensurável a humanidade. Uma das principais premissas é a defesa de que quando se perturba um sistema em equilíbrio, a natureza age contrariando, no sentindo de minimizá-lo ou anulá-lo. Isso ocorre não só em questões químicas, como também em questões sociais, entretanto, no Brasil atual, encontram-se situações antagônicas a teoria como é o caso da persistência dos obstáculos a leitura no país devido à falta de ações do governo e hábito da população.

Em primeira análise, é relevante aborda que a política foi construída ao longo dos anos, conforme Aristóteles, como a ciência que tem objetivo de investigar qual a melhor forma de governo para assegurar felicidade de forma coletiva, de tal forma que a ineficiência do poder público em assegurar acesso a leitura de forma igualitária é o oposto dos deveres políticos. A esse respeito, o livro " A menina que roubava livros", retrata a dificuldade de uma menina em plena segunda guerra mundial em ler uma obra e a importância da construção leitora da população para o engajamento social. Dessa forma, observa-se que a ineficiência do governo em ampliar acesso a livros contribui para o surgimento das intolerâncias, sendo elas, racistas, religiosas e culturas, consequentemente, ausência de senso crítico.

Ademais, convém frisar que esse fenômeno também é fomentado pela falta de interesse dos brasileiros pela leitura, principalmente, por não ser um hábito transmitido dentro do núcleo familiar. Sobre isso, pesquisas realizadas recentemente pelo Instituto brasileiro de geografia e estatística (IBGE) mostram que aproximadamente 70% da população jovem que não tem costume de ler obras pertencem a famílias que também não realizam esses atos, sendo assim, não apresentam referências para praticarem a leitura. Em virtude disso, ainda compete salientar a relevância da leitura para a formação dos jovens tanto no meio social como pessoal no futuro, fica claro, então a importância de medidas para minimizar ou anular as mazelas como ,por exemplo, evasão escolar decorrente pelo desinteresse.

Portanto, políticas públicas voltadas  a prática de leitura carecem, de aplicabilidade. Nessa lógica, é essencial que cada setor efetue seu papel, como defende Foucault, sobre a teoria dos micropoderes, à vista disso, o governo, através o Ministério da Educação, deve ampliar a disponibilidade de livros a toda a população. Assim, revitalizando bibliotecas escolares de instituições públicas, com exemplares de boa qualidade, objetivando estimular a leitura e o interesse pelo conhecimento dos futuros cidadãos. Além disso, cabe o Estado, por meio da mídia, passar em canal aberto a importância de ter o hábito da leitura e o quanto de isso pode prevenir e tratar doenças psicológicas. Logo, com o intuito de mudar os costumes enraizados de ler e aplicar de forma efetiva o princípio de Lavosier nas mazelas atuais.