Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 03/11/2020

Na série “Anne with an E”, produzida pela Netflix", Anne é uma menina órfã, que encontra na leitura um refúgio, tendo essa ação como um prazer. Infelizmente, distante da ficção, casos como os da garota não são comuns no Brasil, o qual enfrenta desafios para a prática da leitura. Esse cenário nefasto ocorre pela elitização desse hábito, ligado ao desprezo ao livro, o qual é imposto pela cultura de massa. Logo, faz-se imperiosa a análise dessa situação, a fim de reverter tal conjuntura.

Em primeiro plano, é válido destacar que, desde a Idade Média, a prática da leitura é associada à elite. Nesse sentido, como a população era predominantemente analfabeta nessa época, o saber ler era tido como sinônimo de escolaridade e de renda, ficando restrito à nobreza e ao clero. De maneira análoga ao Período Medieval, o ato da leitura ainda é ligado às classes mais elevadas da sociedade, as quais, como na antiguidade, são as únicas que têm condições de oferecer uma educação de qualidade, que faça um íntima ligação entre ler e prazer, diferente das mais vulneráveis, que vêm o estudo apenas como uma obrigação legal. Além disso, é notório que fatores econômicos também contribuam para esse cenário, tendo em vista que o Governo Federal aumentou a tributação sobre os livros, por meio do Ministério da Economia, no ano de 2020, tornando-os mais caros, o que dificulta o seu acesso. Dessa forma, é notório a perpetuação de uma “elitização literária” no Brasil, ocasionada pela desigualdade.

Ademais, é indubitável que o costume de desprezar o livro também agrave a problemática. Segundo Theodor Adorno, em sua teoria da Industria Cultural, há, cada vez mais, uma imposição do modo de viver das massas pela mídia, coagindo o indivíduo a consumir o que é valorizado nos veículos de comunicação. Tal coerção é marcada pela alienação, que, pela internet e ou televisão, restringe o lazer da massa a filmes e reality shows, muitas vezes supérfluos, os quais tiram a criticidade do indivíduo e sua capacidade de reflexão. Desse modo, há a desvalorização da leitura no país, imposta pela cultura de massa.

Portanto, levando em consideração a extensão e a gravidade da situação, medidas são necessárias para resolver o impasse. Então, cabe ao Ministério da Educação realizar o incentivo à leitura nas escolas públicas, por meio da implementação de livros paradidáticos nas aulas de todos os anos letivos. Esses livros podem ser discutidos em sala de aula e devem abordar temáticas de interesse juvenil, as quais retratem a realidade dos alunos, tendo como finalidade estimular e despertar o interesse pela prática da leitura. Por fim, espera-se que paixões pelos livros, como a de Anne, se façam comuns na sociedade tupiniquim.