Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 05/11/2020
Durante o Iluminismo, movimento cultural europeu iniciado no séc. XVIII, os pensadores eram vistos como propagadores da luz e do conhecimento, promovendo a capacidade de questionamento ao ser e garantindo sua busca à liberdade. Todavia, esse desejável cenário não é possível de ser aplicado no Brasil atualmente, uma vez que a prática de leitura é cada vez mais escassa e impede o pensamento crítico da sociedade em relação ao seu meio. Nesse sentido, cabe analisar o ensino público deficitário e a má influência midiática como causas do problema, que será solucionado com um projeto eficiente.
Primeiramente, é evidente que a educação pública brasileira é precária e impede uma cultura de leitura diária. Consoante com Immanuel Kant, filósofo prussiano, o homem é fruto do que a educação faz dele. A vista disso, ao passo que os investimento estatais destinados ao ensino público são ínfimos e os professores não são devidamente valorizados, os alunos, igualmente, não reconhecem a importância do estudo, pela falta de perspectiva de futuro, e, consequentemente, não valorizam a prática de ler livros. Como resultado, têm-se um cenário de leitura elitizada, e a maioria do meio social com uma capacidade limitada de criticidade, que se adapta à cultura do conformismo com os problemas de desigualdade vivenciados, bem como não reflete sobre as questões sociais que o rodeiam, mostrando, assim, que incumbe, principalmente, ao governo, a mudança desse lastimável quadro.
Outrossim, o meio digital é um outro fator que corrobora para a perpetuação da leitura escassa no país. Desde o início da globalização, processo que promove uma maior interação entre os países, a expansão da internet e da mídia foi de sumo benefício para a sociedade. No entanto, à medida que as tecnologias digitais afastam a população dos conhecimentos contidos no meio físico, ora pelo uso de algoritmos, para incentivar que o indivíduo permaneça mais tempo em contato com a rede, ora pelos influenciadores digitais que exibem uma vida ilusória e fácil, muitas vezes, sem o estudo, elas se tornam maléficas ao corpo social. Dessa forma, é notória uma população alienada, com ideias limitadas ao senso comum, evidenciando que a prática da leitura deve ser mais presente no cotidiano da nação.
Logo, medidas estratégicas devem ser tomadas para reverter a realidade. Nesse viés, o MEC em conjunto com as prefeituras municipais deve criar um projeto que incentive a leitura no país, por meio de professores da área de linguagens e a secretaria de educação das cidades. Tal projeto deverá distribuir livros gratuitos à população e, após sua leitura serem entregues à biblioteca municipal, bem como ao fim de cada ano haver uma premiação para os dez cidadãos que mais leram no período em proporção ao seu tempo livre, para que, assim, haja uma sociedade mais instruída e questionadora. Destarte, de forma superior ao Iluminismo, todos poderão ser pensadores e propagadores de luz.