Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 04/11/2020

Segundo Marshall McLuhan, “os homens criam as ferramentas e as ferramentas recriam os homens”. Entretanto, as transformações no caráter e na educação da população brasileira a partir do hábito de leitura é constantemente dificultada por diversos fatores, como o surgimento da proposta do imposto sobre os livros, um fato o qual contraria o dito de McLuhan. Dessa maneira, pode-se preconizar que tal problemática é complexa e está atrelada à lacuna educacional e à priorização de interesses financeiros.

Primeiramente, é preciso salientar que a lacuna educacional é causa latente do problema. De acordo com Nelson Mandela, “a educação é a arma mais poderosa que você pode usar para mudar o mundo”. Nesse sentido, é possível afirmar que, as escolas, tanto públicas quanto privadas, não incentivam os alunos a lerem por prazer, mas por obrigação. Assim, o conhecimento adquirido através do hábito de leitura não ocorre da maneira correta, pois a educação brasileira estimula, indiretamente, os estudantes a repudiarem o ato de ler, algo que prejudica o ensino deles.

Em segundo plano, outra causa para a configuração do problema é a priorização de interesses financeiros. Tal como John Locke afirma, “as leis fizeram-se para os homens e não para as leis”. Dessa forma, é viável abordar que, no Brasil, o lucro com a venda de livros se expressa mais importante do que a formação do hábito de leitura da população brasileira. Ademais, isso é comprovado com a proposta do Governo Federal a respeito do imposto sobre os livros, algo que dificulta o acesso das pessoas em relação a eles. Desse modo, os brasileiros intensificam o processo de negação ao hábito de leitura e prejudicam o avanço do país no requisito de educação e de conhecimento.

Diante disso, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, o Ministério da Educação deveria promover um espaço nas escolas brasileiras, fora do horário de aula, e criar feiras literárias gratuitas de diversos gêneros no espaço escolar, a fim de incentivar os alunos a lerem com maior frequência e demonstrar que a leitura não é obrigatória, mas prazerosa. Além disso, as Grande Mídias deveriam divulgar obras literárias famosas e aclamadas pelo público, com o propósito de difundir a prática de leitura entre as pessoas de forma eficiente. Adicionalmente, essas mesmas mídias poderiam criar a hashtag “ler é diversão, não obrigação”, para encorajar mais rapidamente o hábito de leitura no país. Em suma, a transformação humana, através de sua própria ferramenta, os livros, dita por McLuhan, se tornará uma realidade no Brasil.