Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 05/11/2020
No filme “A menina que roubava livros”, acompanha-se a trajetória de uma garota que, durante a 2ª Guerra Mundial, roubava livros para ler, encontrando nas histórias um refúgio diante de toda agonia que vivenciava. Atualmente, o mundo não se encontra mais em guerra, entretanto, os livros seguem sendo fontes essenciais de conhecimento e a leitura, que tem sido deixada para trás por muitos, precisa mais do que nunca ser incentivada.
Durante a Idade Média, o acesso aos livros se restringia àqueles que fizessem parte da elite, como o clero. Na sociedade hodierna, esse acesso tornou-se universal, seja através de bibliotecas, da escola, de livrarias ou mesmo da internet. Ainda assim, nota-se uma queda na prática da leitura, que acaba competindo com fontes mais imediatas de conhecimento e lazer, como as ferramentas de pesquisa online e as redes sociais. Para mais, os altos preços dos livros muitas vezes não condizem com as condições financeiras de grande parte da população do país, que acaba por deixar em segundo plano esse consumo e, consequentemente, lê menos.
Em segundo ponto, pode-se refletir sobre a fala de Monteiro Lobato, “Quem mal lê, mal ouve, mal fala e mal vê”. Lendo, os indivíduos aprendem sobre o universo e sobre si mesmos de forma divertida, sendo instigados por meio dos livros a formar uma opinião crítica perante o mundo que os cerca e, dessa forma, podem contribuir para melhoria da sociedade como um todo. Em diversos casos, são as escolas as promotoras do primeiro contato que crianças e jovens têm com a leitura. A problemática se dá pelo fato de que, especialmente na adolescência, os livros deixam de ser atrativos e acabam sendo vistos apenas como uma obrigação escolar, fazendo com que desde cedo o hábito de ler por espontânea vontade se perca.
Sendo assim, é necessária atuação estatal para vencer os desafios acerca da prática da leitura no país. Cabe ao governo continuar a assegurar a isenção de impostos sobre os livros, garantindo que os preços sejam justos, o que facilita o amplo consumo pela população. Em parceria com o Ministério da Educação, pode também promover campanhas em canais de televisão aberta e nas redes sociais que conscientizem pessoas de todas as faixas etárias sobre a importância da leitura para suas vidas. Ademais, as escolas, em conjunto com a comunidade escolar, podem promover rodas de conversas e eventos literários que incentivem a leitura de forma lúdica e atrativa, levando em consideração as singularidades dos adolescentes. Por fim, as prefeituras municipais podem, em parcerias com ONG’s, articular projetos envolvendo os espaços públicos das cidades, como parques e praças, a fim de levar livros para esses ambientes, tornando a leitura parte rotina de todos os brasileiros.