Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 20/12/2020
Personagem criado pelo escritor brasileiro Monteiro Lobato, Visconde de Sabugosa representa um cientista cuja sabedoria foi adquirida através dos livros da estante de Bona Benta. Entretanto, fora da ficção, há diversos desafios para cultivar a leitura nos brasileiros, dentre eles existe a falta de uma influência com tal hábito e o desinteresse.
A princípio, a importância do costume de ler remete ao ser humano um autoconhecimento. De modo que, uma das funções da educação formal é aparelhar o indivíduo para que ele se constitua cidadão e autônomo. Para tanto, ter uma visão crítica do que o cerca e agir no mundo tomando decisões e atitudes. “’Torne-se quem você é’, murmura-me a literatura” – essa frase, retirada do livro Literatura para quê?, de Antoine Compagnon, professor francês, instiga a busca da própria identidade por meio da leitura. Assim, para que se possa possuir o costume de ler, é necessário uma preponderância vinda de casa.
Outrossim, o desprazer perante a leitura faz com que a população brasileira não veja que, é através dela, o principal meio de absorção de conhecimento. Segundo Benedito Antunes, professor da Unesp, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, “A literatura melhora a sensibilidade, a compreensão do mundo. Habilita o leitor a ter uma percepção do meio social, histórico e até pessoal muito mais complexa do que sem essa experiência de linguagem”. Por certo, a literatura propicia ao ser humano o desenvolvimento das habilidades de ler e fazer inferências, do raciocínio e da cognição.
Em suma, vê-se que tal prática colabora para o desenvolvimento do pensamento crítico e da capacidade de apreensão de outros conteúdos. Para que se possa melhorar o quadro atual, o Estado deve agir e garantir aquilo que está no Art. 215 da Constituição, assim, por meio de redes sociais e palestras escolares, oriente aos pais a importância da leitura para seus filhos e em como isso moldará seus futuros. Diante disso, desenvolver o hábito desde casa é promover a omnilateralidade da educação ao integrar as dimensões da vida humana: trabalho, ciência e cultura. A literatura conversa com todas essas áreas e as coloca em sintonia, pois evite a fragmentação entre o mundo real e o subjetivo intelectual.