Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 06/11/2020
A Alegoria da Caverna, metáfora elabora por Platão, ilustra o grau superior do conhecimento racional, posto que que um dos prisioneiros sai da caverna e depara-se com uma realidade mais ampla e complexa. Analogamente, a leitura torna-se o instrumento o qual leva o leitor à dedução lógica que expande sua compreensão de mundo. À vista disso, no Brasil, os cidadãos encontram-se acorrentados na balbúrdia que assola a gestão, uma vez que as autoridades reprimem o senso crítico, e conse-quentemente, desprezam textos e livros que instiguem o pensamento.
Sob esse viés, o atual governo do presidente Jair Bolsonaro, apre-sentou uma proposta que prevê a tributação dos livros em 12%. Assim, no país considerado subdesenvolvido, tal tributo identifica-se como um abismo frente ao aprendizado e a formação crítica do indivíduo, ambas propor-cionadas pela leitura, em razão dos 84,9 milhões de cidadãos brasileiros em insegurança alimentar grave, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dessa maneira, o leitor que carece de aporte financeiro para própria subsistência não terá o “privilégio” de expandir seu conhecimento.
Nessa perspectiva, soma-se ainda o fato que o gabinete desdenha da educação, o que fragiliza o ensino básico o qual inicia a leitura. Desse modo, segundo a reportagem da Folha de São Paulo, em 2019, houve uma queda brusca de 33% dos investimentos estatais para construção de creches e alfabetização. Tal fato contribui para o baixo desempenho dos estudantes, segundo o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), o qual revelou que 51% estão abaixo do patamar básico.
Depreende-se, que a hostilidade governamental à educação é o grilhão mais resistente que impede a saída da caverna. Cabe, portanto, ao Minis-tério da Educação, por meio de protestos e debates públicos, exigir que o Governo Federal invista na alfabetização, por intermédio de incentivos à leitura, bem como pela acessibilidade de livros para todos, a fim de garantir a criticidade dos cidadãos. Isto posto, o conhecimento não será privilégio.