Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 19/11/2020
José Saramago, em seu livro “Ensaio sobre a cegueira”, caracteriza a banalização das difíceis realidades sociais frente o olhar da sociedade. A obra é permeada por uma profunda crítica social, e busca comprovar que o homem é influenciado pela realidade em que vive. Saindo da ficção, esse contexto é análogo à questão da leitura na nação canarinha, uma vez que os desafios a respeito de sua prática se tornam cada vez mais naturalizados e, consequentemente, difíceis de correção. Logo, faz-se imperativo analisar os reflexos dessa problemática para a população, bem como o papel estatal em sua mitigação.
A priori, é elementar que se leve em consideração que desde os processos denominados Revoluções Industriais e a ascensão ao capitalismo, o Brasil passou a se modernizar, bem como um maior desenvolvimento intelectual foi alcançado. No entanto, nota-se que a dependência dos recursos tecnológicos, especialmente entre os jovens, atrelada à busca por uma educação cada vez mais especializada, reflete na ausência de tempo para ler algum livro. Além disso, observa-se que, no âmbito educacional, essencialmente nas classes mais marginalizadas, os indivíduos, por nem sempre possuírem uma educação de qualidade, também não são influenciados a praticar a leitura, o que, infelizmente, representa um retrocesso para a nação.
Outrossim, consoante o pensamento kantiano, o ser humano só atinge a maioridade quando sintetiza a possibilidade de agir com a sua própria razão. Não obstante, o Estado, ao negligenciar, muitas vezes, a diminuição exponencial do número de leitores no Brasil, obriga os cidadãos a permanecerem em estado de menoridade. Esse fato pode ser observado no que tange ao levantamento de dados da pesquisa Retratos da Leitura do Instituto Pró-Livro, segundo os quais “44% da população não lê e 30% nunca comprou um livro”. Sob essa perspectiva, pontua-se que o artigo 23 da Constituição de 1988 garante que é dever do Governo proporcionar os meios de acesso à cultura, bem como à educação, para os cidadãos tupiniquins. Contudo, é desanimador notar que tal diretriz não dá sinal de plena execução.
Destarte, medidas fazem-se cruciais para minimizar a “cegueira” da sociedade frente os desafios referentes à prática da leitura no Brasil contemporâneo. Para que isso ocorra, o Governo, em parceria com o Ministério da Educação, deve investir em palestras e projetos sociais acerca dos benefícios que a leitura traz para o desenvolvimento intelectual do corpo social. Esse fato deve acontecer por meio de um amplo apoio midiático, que inclua propagandas televisivas, entrevistas em jornais e debates entre os professores, a fim de quebrar barreiras sobre esse tema e atingir um público maior.