Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 07/11/2020

Surgido na Europa Renascentista em meados do século XVI, o hábito da leitura ganhou força após a invenção da imprensa de Gutemberg, a qual possibilitou o início da democratização do acesso à cultura literária. Na contemporaneidade, o supracitado costume enfrenta relevantes objeções no panorama nacional, sendo mormente fatos históricos e sociais que não incitam tal prática na cultura local de forma a propiciar um panorama de “déficit” de leitura, o qual urge por medidas atenuantes.

Primeiramente, é mister considerar pontos históricos que reverberam a atual situação leitora no país. Desde 1500, ano da chegada de Pedro Álvares Cabral ao território brasileiro, durante o processo da colonização exploratória do Brasil instaurou-se a atividade de intensa tomada das dádivas brasileiras. Esse meio abusivo visava não o povo e sua humanidade, mas sim a “coisificação” do homem - ideia marxista da reificação - o qual era usado como instrumento para obtenção dos metais preciosos e das principais colheitas encontradas em território nacional. A referida conjuntura impossibilitou a constituição de uma população culturalmente interessada no exercício da leitura, visto que, tal prática não fora fomentada já nos primeiros momentos da história brasileira. Hodiernamente, esse cenário não mudou, posto que as ideias exploratórias intrínsecas no processo colonial deixaram traços nos brasileiros desde a instauração do monopólio colonial, as quais culminaram numa sociedade com baixos níveis de leitura anuais conforme afirma o Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa).

Em segundo lugar, o destoante panorama social brasileiro impossibilita a democratização da leitura, pois tal prática não se consolida em uma sociedade em que a desigualdade social apresenta altos índices. Na idade das trevas - período histórico anterior ao Renascimento - o acesso à cultura literária era restrita ao clero e à aristocracia, de modo que as classes baixas apenas recebiam as concepções e interpretações impostas pela igreja, fato que só foi enfraquecido com a impresa de Gutemberg. Na contemporaneidade, o acesso as obras, assim como na Europa Renascentista, continua restrito a uma minoria que apresenta fundos monetários para obtenção dos materiais culturais impressos. Em resumo, a luz dos altos índices de discrepância social existentes na sociedade contemporânea, torna-se difícil a popularização dos livros, haja vista o hábito da leitura não condizer com o escasso panorama brasileiro.

Em síntese, a supracitada conjuntura urge medidas profiláticas que possibilitem o fortalecimento da democratização literária no Brasil. Para isto, cabe ao Ministério da Educação e Cultura (MEC) inserir na grade curricular, das séries iniciais ao ensino médio, medidas de estímulo à leitura nas escolas, mediante palestras e feiras literárias - com bibliotecas itinerantes as quais propiciem doações e trocas de livros entre os estudantes - com o objetivo de fomentar brevemente o contato com a leitura.