Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/11/2020

Na década de 1990, o sistema educacional brasileiro cresceu e se tornou cada vez mais universalizado. A intenção era permitir que o Brasil fosse competitivo em um contexto globalizado e digital. O acesso à escola em todos os níveis de educação aumentou consideravelmente, e o país pôde dizer com orgulho que quase todas as crianças já estavam na escola. Apesar do governo ter conseguido matricular praticamente todas elas, é possível notar que não estavam aprendendo e muito menos sendo estimuladas a prática da leitura. Dessa forma, essa conjuntura é extremamente semelhante com a situação atual das escolas, o que acarreta diversos desafios incluindo analfabetismo, sociedade sem criatividade, péssima comunicação e alienação, todos relacionados a falta de leitura.

Desse modo, depoimentos de estudiosos, escritores e leitores do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores, atribuem à literatura uma função formadora, visto que ela contribui para o desenvolvimento de indivíduos emocional e psiquicamente equilibrados, conscientes de sua responsabilidade social e aptos a posicionar-se criticamente em face de seu meio. Paralelamente, professores dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio atestam o desinteresse de seus alunos pela leitura de textos literários, posicionamento que somente é contrariado por raras exceções.

Dessa forma, Um estudo realizado pelo Instituto Paulo Montenegro, em parceria com a ONG Ação Educativa e o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope Inteligência), estima que 27% dos brasileiros não sabem ler ou leem apenas títulos e frases, reconhecem uma informação explícita e têm dificuldades de se expressar por meio da escrita, sendo, portanto, analfabetos funcionais; 42% têm uma habilidade básica de leitura, sendo capazes de ler textos curtos e de localizar informações explícitas; 23% apresentam um nível intermediário de leitura, sendo capazes de fazer pequenas inferências e de interpretar e de realizar a síntese de textos diversos; e apenas 8% dos brasileiros efetivamente compreendem o que leem, são capazes de relacionar e de comparar informações e de situar-se criticamente diante do texto lido.

Com isso, cabe ao Ministério da Educação, promover e realizar programas com reformas educacionais que  possam contribuir para a superação desses desafios, favorecendo a socialização do conhecimento didático hoje disponível sobre a alfabetização e, ao mesmo tempo, reafirmando a importância da implementação de políticas públicas destinadas a assegurar o desenvolvimento profissional de professores. Só então,  importância da leitura no que se refere à formação de leitores e de sujeitos comprometidos com a sociedade de que fazem parte irá confirmar que a prática da leitura é imprescindível.