Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 10/11/2020

No século XVIII, a prensa móvel inventada por Guttenberg, foi adaptada para fabricação de jornais em larga escala com o intuito de democratizar o acesso à leitura. Entretanto, a evolução da imprensa se mostrou incapaz em popularizar esse ingresso à informação na sociedade. Com efeito, a prática de leitura no Brasil situa-se em um estado de emergência acarretado pelo alto custo dos livros e a falta de investimento para construção de uma comunidade leitora.

Sob uma perspectiva primária, o valor elevado dos manuscritos inviabiliza a solução do problema. Nessa abordagem, a proposta de Reforma Tributária feita pelo Ministério da Economia tem como um dos objetivos: aumentar o preço do livro em 20%. A esse respeito, a cultura da “elitização da leitura” permanece enraizada no país, já que grande parte da população não tem disponibilidade financeira para investir na compra de uma obra, o que impossibilita a criação de um senso crítico e compreensão dos seus direitos como cidadão. Desta forma, a Reforma Tributária - prevista pelo Ministério da Economia - afeta a contemporaneidade e deve ser repudiada pela sociedade brasileira.

De outra margem, os estímulos ao hábito de leitura se mostram escassos. Nesse viés, o filme Sociedade dos Poetas Mortos, retrata como um professor foi capaz de fazer os seus alunos se apaixonarem pelo ato de ler apenas instigando-os. Assim, o Estado se enquadra como responsável por essa falta de incentivo, na medida em que disponibiliza professores mal qualificados e sucateiam as bibliotecas. Concomitantemente, as figuras de autoridade do seio familiar que não leem e acabam servindo de exemplo para os jovens, os quais desviam sua atenção apenas para as redes sociais na modernidade. Desse modo, enquanto a omissão do poder público se mantiver, o Brasil será determinado a viver com esse impasse: a precarização do corpo leitor.

É urgente, pois, que a democratização do acesso à leitura seja tratado com eficiência. Para isso, o Ministério da Educação deve, com urgência, possibilitar o acompanhamento dessa debilidade, por meio da criação do curso " Professores que constroem leitores “, o qual qualifica os docentes para que seja garantido aos jovens o desenvolvimento desse costume de maneira produtiva e duradoura, dando-lhes a oportunidade de sair do senso comum e expandir seus conhecimentos. Dessa maneira, a possibilidade de popularização do ingresso à informação aumenta com relevância, dirimindo esse grave problema que, muitas vezes, parece ser um transtorno social.