Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 11/11/2020

Na obra pré-modernista “Triste Fim de Policarpo Quaresma”, do escritor Lima Barreto, o protagonista acredita fielmente que, se superados alguns obstáculos, o Brasil projetar-se-ia ao patamar de nação desenvolvida. Hodiernamente, é provável que o major Quaresma desejasse reduzir os empecilhos que barram a prática da leitura no país. Assim, seja pelo comportamento coletivo, seja pela ineficiência do Poder Público, esse tema é uma grave questão social que precisa ser resolvida.

Deve-se pontuar, em primeiro lugar, que o comportamento coletivo está entre as causas da problemática. Consoante o pensamento de Émile Durkheim, sociólogo francês, o fato social consiste em instrumentos sociais e culturais que determinam as maneiras de agir, pensar e sentir na vida de um indivíduo, obrigando-o a adaptar-se às regras da sociedade. Sob essa égide, verifica-se que há, na atualidade, uma normalização do hábito da não leitura, ou seja, uma parcela significativa da população considera normal o fato de indivíduos jovens tornarem-se adultos alienados e sem um pingo de senso crítico — questão que corrobora o entrave abordado em virtude do fato social.

Outrossim, a ineficiência do Poder Público também é responsável por esse impasse que persiste no Brasil. Concebida no Processo de Redemocratização, a “Constituição Cidadã”, assim chamada a Constituição Federal de 1988, foi promulgada com a promessa de assegurar os direitos de todos os cidadãos brasileiros. No entanto, apesar da garantia constitucional, percebe-se que as falhas na prática da leitura podem configurar uma falha no princípio da isonomia, dado que o artigo 6º desse documento prevê a inviolabilidade dos direitos à educação e ao bem-estar social, fatores que podem ser comprometidos sem a prática da leitura e, concomitantemente, demonstram a ineficiência dos governantes nesse sentido.

É imperioso, portanto, que medidas precisam ser tomadas para consumar o aprendizado da leitura. A priori, cabe ao Ministério da Educação dirigir parte da verba pública, para incentivar a leitura nas escolas e conscientizar os alunos da importância do ler, no combate da alienação. Dessarte, os incentivos devem ser feitos a partir de palestras obrigatórias, para todos os alunos, tanto da rede pública, como do particular, com professores de língua portuguesa e de sociologia, tendo em vista os aspectos da problemática. Outrossim, cabe ao governo facilitar o acesso da sociedade a livros e jornais digitados, através do barateamento de livros e a distribuição gratuita de jornais, somado com o processo a curto prazo em obras de infraestrutura, ou seja, a construção de mais bibliotecas públicas, a fim de incentivar e formar futuros leitores. Assim, com Estado e sociedade civil e unindo forças em prol de um país mais justo e humano, construir-se-á o Brasil que Policarpo Quaresma tanto exaltava.