Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 17/11/2020

No livro ‘‘Capitães da Areia’’ o escritor brasileiro Jorge Amado denuncia mazelas sociais com relação à prática de leitura, descrevendo a falta de acesso homogêneo a determinadas ferramentas para manutenção dessa ação. Analogamente a obra, percebem-se aspectos semelhantes no que tangem à questão dos desafios no hábito de leitura no Brasil. Nesse sentido, torna-se evidente como causa de tais objeções a ausência de incentivo familiar aliado a falta de políticas públicas que estimulem uma prática efetiva dessa atividade.

Em primeiro plano, vale destacar que o déficit na prática de leitura começa em casa, onde os pais abandonam este estímulo restringindo tal função as escolas. Certamente, as instituições de ensino tem papel fundamental na leitura, entretanto, devido a falta de recursos, como livros e bibliotecas, em algumas escolas torna-se inviável o progresso desse hábito. Sendo assim, a carência de incentivos familiares expande esta problemática, isto porque, conforme acreditava o sociólogo Pierre Bourdieu, no conceito de ‘‘Habitus’’, o indivíduo reproduz as atividades que são exercidas no local em que habita.

Outro aspecto a ser abordado é o desleixo do Estado, com relação a políticas públicas eficientes que estimulem o hábito de ler, dificultando a ampliação e acesso desse costume. Em consequência desta renitência, de acordo com o Instituto PISA, mais da metade da população brasileira está abaixo do nível básico de leitura, de modo a ocasionar uma alienação do corpo social, sabendo-se que, a leitura expande o senso crítico. Diante disso, a problemática não é tratada de maneira eficaz, tornando-se um problema contemporâneo.

Nota-se, portanto, a existência de barreiras sociais e econômicas que retardam a prática da leitura no Brasil. Dessa forma, as Secretarias Municipais em colaboração ao Grêmio Estudantil, deve promover palestras e dinâmicas opcionais nas escolas, orientando ao corpo social a importância da leitura, abrindo assim um canal para discussões que sejam necessárias para a prática de leituras entre os jovens e aos pais. Atrelado a isso, o Ministério de Educação deve estimular a criação de projetos educacionais que tragam as instituições de ensino todas as ferramentas necessárias para manter o acesso homogêneo a leitura, adequando os prédios escolares para tais ações. Essas medidas objetivam impedir que essa quadro permaneça no âmbito nacional, distanciando a realidade brasileira das críticas do livro ‘‘Capitães da Areia’’.