Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/11/2020
Na animação clássica da Disney “A Bela e a Fera”, a protagonista Bela é vista pelo povo do seu vilarejo como diferente, até estranha, apenas pelo fato de ler muito. Embora o contexto histórico tenha seu peso no filme, não é errôneo afirmar que, especialmente no Brasil, a prática da leitura é, sim, algo que muitos ainda acham incomum ou até veem com maus olhos, mesmo que tal costume só apresente benefícios. Com esse fato em mente, não é precipitado afirmar que a prática da literacia não é amplamente apreciada. Logo, essa realidade apresenta diversos impasses, principalmente no que se refere ao incentivo familiar e social e à interferência de outros interesses.
A priori, retomando o exemplo apresentado anteriormente, assim como a protagonista do filme A Bela e a Fera, muitos jovens que buscam a leitura são vistos como diferentes, e, inevitavelmente, isso afeta no convívio social. Ainda sob tal viés, não é de hoje que os filmes sempre apresentam a pessoa que lê como o “nerd”, o esquisito, tudo que uma criança quer evitar, o que é apresentado com clareza no filme Ela e os Caras – que mostra sete garotos excluídos socialmente por não se encaixarem no padrão, exatamente por lerem – e diversos outros, então a prática da literatura é altamente desestimulada, como ninguém gostaria de cumprir esse papel, e, ainda, aqueles que cumprem são rebaixados pelos que, por essa influência, consideram a leitura como algo anormal. Logo, tais crianças crescem para se tornar adultos que não leem, formando famílias que não estimulam tal hábito.
Em conseguinte, outro importante aspecto a ser citado é a estimulação da leitura em escolas, porém com livros que não condizem com a faixa etária dos jovens. Levando isso em consideração, é fato afirmar que muitos estudantes perdem o interesse pela leitura tanto pela falta de estímulo em casa e no meio social – retomando a problemática anterior – quanto nas próprias instituições de ensino, uma vez que os livros oferecidos por elas dispõem de um vocabulário arcaico e de difícil, que da a ideia errônea de que a literatura é algo tedioso quando, na verdade, é uma prática substancial para o desenvolvimento individual e também profissional dos cidadãos, como, segundo o famoso escritor e filósofo Voltaire, “a leitura engrandece a alma”.
Em suma, infere-se que o Governo Federal deve elaborar uma cartilha com informações básicas sobre os procedimentos de uma leitura viável para cada faixa etária, o que pode ser executado por meio de conceitos simples e fáceis, desde um processo individual a um estímulo familiar, com o propósito de sanar os desafios para a prática da literacia no Brasil. Além disso, campanhas devem ser feitas por meio das redes sociais para que mais filmes que estimulem a prática da leitura, não que a condenem, sejam produzidos. Dessa forma, nenhum jovem precisará se sentir “diferente” como a Bela.