Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 12/11/2020
No século XV, a reforma protestante foi fundamentada após Martinho Lutero, que era um monge católico, ler a Bíblia e perceber divergências entre as escrituras e o que se praticava; tal fato modificou o cenário mundial. Nesse sentido, é incontravertível que a leitura acarreta ao leitor um grande poder, o conhecimento. Entretanto, no cenário brasileiro atual, observa-se impasses que dificultam o hábito da leitura. Como consequência, emerge, nesse cenário, uma problemática delicada em virtude de métodos educacionais insatisfatórios e pela ausência de políticas públicas.
Primeiramente, é preciso atentar para o cenário educacional como fator da questão. Segundo Kant, o ser humano é aquilo que a educação faz dele. Fato é que a educação é multidisciplinar, dessa maneira o estímulo da leitura de forma saudável ampliaria a visão de mundo dos alunos, estimulando as mais diversas áreas do conhecimento. Contudo, não há um ambiente favorável para isso nas classes, apenas a coerção da leitura; para uma prova por exemplo. Por consequência, tal hábito torna-se cada vez mais distante, pois se torna maçante e desinteressante.
Além disso, altas taxas cobradas pelos livros caracteriza um fator que perpetua a problemática. Para John Locke, o Estado deve servir aos homens e não os homens ao Estado. Todavia, nota-se que reformas tributárias, impostas pelo Ministério da Fazenda, acarretam um grande obstáculo para cristalização da prática da leitura na sociedade brasileira. Desse modo, instaura-se um cenário desestimulante e inacessível para a obtenção de livros.
Portanto, conforme o exposto é necessário que medidas sejam tomadas para que os desafios da prática da leitura no Brasil sejam vencidos. É mister que o MEC crie um programa de revitalização das bibliotecas nas escolas e amplie o acervo de leitura para que fique mais atrativo aos estudantes, bem como, palestras e campanhas que evidenciem os benefícios que tal hábito acarreta aos praticantes — a curto médio e longo prazo. Soma-se a isso, o Ministério da Justiça poderia conceder descontos a estudantes na compra de livros e criar campanhas publicitárias para fomentar a frequência da sociedade em locais como os faróis da educação e as bibliotecas públicas, democratizando o acesso a leitura a todos os cidadãos. Dessa forma, possivelmente, o mesmo espírito revolucionário que Martinho Lutero adquiriu possa ser verificada na realidade brasileira do século XXI.