Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 12/11/2020

Com a chegada da família real, no Brasil, em 1808, foi criada a Biblioteca Nacional, com o intuito de democratizar a leitura no país. Contudo, após dois séculos, tal democratização para a prática leitora ainda é um desafio, em função de problemas educacionais e da dificuldade ao acesso a livros, sendo portanto, necessária uma análise mais profunda.

A princípio, a célebre visão de Paulo Freire, pedagogo brasileiro, é fundamental, pois a educação tem a capacidade de transformar hábitos na sociedade. Entretanto, inserir a prática de leitura nos jovens apresenta desafios, por diversos motivos. Com efeito, pode-se citar a falta de incentivo dos pais, a literatura mais complexa usada na escola que destoa do que é lido fora do âmbito de ensino e a alfabetização de crianças por vezes incompleta. Por exemplo, é comum ouvir adolescentes reclamando do teor dos livros lidos no colégio. Ainda que os clássicos da literatura nacional sejam importantes, um diálogo mais aberto com os alunos pode facilitar o processo do hábito de ler, de forma mais gradual. Logo, mudanças são necessárias.

Outrossim, destaca-se a dificuldade para obter um livro. Sob essa óptica, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio, entre 2007 e 2017, houve um decréscimo de 29% de livrarias no país. Dessa forma, é evidente que os problemas econômicos da nação afetam a aquisição de livros, visto que o país esteve em recessão no período temporal considerado, diminuindo a renda mínima mensal da população. Além disso, o Brasil ainda apresenta um número reduzido de bibliotecas, principalmente em zonas periféricas. Sendo assim, tais conjunturas e estruturas precisam de resolução.

Destarte, o Ministério da Educação, em parceria com escolas da rede municipal e estadual, deve realizar pesquisas diretamente com os alunos para ouvir suas dificuldades no hábito de ler, por meio do auxílio de professores e pedagogos, a fim de encontrar uma solução comum que realmente crie a prática de leitura. Ademais, o Legislativo deve cobrar diretamente as prefeituras para a ampliação de bibliotecas, por meio de uma Lei que obrigue o aumento da malha bibliotecária e da quantidade de livros per capita nas cidades. Assim, será possível modificar a realidade vigente e cumprir o proposto por Paulo Freire.