Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 13/11/2020

A leitura constitui-se como habilidade inerente ao processo civilizatório da humanidade, sendo indispensável para a conjuntura ontológica. A partir do final do século XX, com advento da Revolução Científica, foi possível observar transformações significativas voltadas ao desenvolvimento de novas formas de consumir informação, principalmente mediante dispositivos digitais, culminando na predominância de tais ferramentas na vigência hodierna. Nesse sentido, faz-se imperioso o debate acerca de desafios para a prática da leitura no país e suscita a necessidade de combatê-los.

O deficit no estímulo à leitura preconiza um retrato pautado no exercício cognitivo superficial. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, no conceito de ética eudaimônica, a virtude intelectual e moral é resultado de hábitos que devem ser constantemente cultivados. Destarte, vale associar esse pensamento com a literacia, visto que, na conjuntura tecnológica atual, a prática da leitura focada é paulatinamente substituída pela dinâmica rasa e sucinta das redes, nas quais a atenção do usuário é redirecionada de modo perene; com isso, o ato de ler transforma-se em uma ação automática para a interação digital, enquanto que a efetiva experiência de adquirir conhecimento e aplicar a imaginação é negligenciada. Logo, tal cenário apresenta-se como entrave no fomento de uma sociedade leitora.

Ademais, o viés inerente à inacessibilidade referente a modalidades de leitura configura-se obstáculo na construção da prática. Segundo o pensador contratualista Jean Jacques-Rousseau, é dever do Estado gerenciar seus aparatos em prol da capacidade de assistir aos cidadãos. Assim, faz-se pertinente contrastar a teoria do filósofo com o panorama contemporâneo, haja vista a carência de mecanismos públicos que disponibilizem o acesso de livros e a restrição socioeconômica por livrarias privadas, ao passo que os preços são, em grande parte, inacessíveis para a população que não dispõe de amplos recursos financeiros. Desse modo, remediar essa problemática é fulcral para permitir o alcance da literacia em escala exponencial.

Portanto, entende-se que os desafios para a prática da leitura no Brasil é um tema relevante que carece de soluções para mitigá-lo. Por isso, é mister a atuação do seio familiar, como responsável pela formação de crianças e jovens, no incentivo ao exercício de ler, por meio da estipulação de horários específicos para tal de forma periódica, a fim de cultivar o hábito. Além disso, o Estado pode fornecer acesso a acervos por intermédio de parcerias com a iniciativa privada, mediante a doações de exemplares em lojas físicas pelos consumidores, de modo que estes sejam destinados para bibliotecas e para instituições de ensino públicas. Assim, tornar-se-á possível a construção de uma sociedade permeada por cidadãos efetivamente leitores.