Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 13/11/2020

De acordo com o brilhante professor Pierluigi Piazzi, autor do livro “Aprendendo inteligência”, o sistema educacional brasileiro faz o aluno descer a escada da inteligência. Esse reconhecido docente fundamenta sua crítica, entre outros motivos, na imensa dificuldade que os estudantes sentem na habilidade de interpretação de texto. Nesse contexto, é possível afirmar que desenvolver o hábito de ler no período escolar e o analfabetismo funcional são desafios, dificílimos, a serem transpostos no Brasil na busca por uma sociedade que ama a leitura.

Em primeira análise, cabe ressaltar que o brasileiro tem dificuldade em desenvolver a prática da leitura no período escolar. Nesse sentido, o professor Pierluigi defende a tese de que o nosso sistema de educação possui um foco exacerbado na preparação para os vestibulares e que os autores cobrados nessas provas, tais como Machado de Assis ou Castro Alves possuem uma linguagem de difícil conexão para um adolescente. Sob essa ótica, adicionar uma literatura com maior apelo emocional aos jovens, tais como “Harry Potter” ou “O senhor dos Anéis”, criaria uma sensação de leitura prazerosa nos jovens, que seriam preparados para, posteriormente com a maturidade, ler os grandes nomes da literatura nacional e assim, transpor esse primeiro desafio à leitura.

Um outro ponto a ser abordado é referente ao grande número de analfabetos funcionais em nosso país. A esse respeito, uma pesquisa divulgada pela revista “EXAME SA.” apurou que aproximadamente 70% das pessoas possuem extrema dificuldade em interpretar textos simples. Nesse cenário aterrorizante, as pessoas optam pelo consumo de conteúdo audiovisual, que possui limitações de produção, e perdem a oportunidade de viver a maravilhosa experiência da imersão na leitura. Assim, percebe-se que a falta de preparo da população é um gigantesco entrave a ser vencido na busca pelo gosto literário.

Urge, portanto, que medidas sejam tomadas visando mitigar a problemática envolvida na prática da leitura no Brasil. Para tal, o Ministério da Educação deverá criar o projeto “Amo ler”. Tal ação deverá incluir na grade curricular horários específicos para leitura de livros lúdicos e de fácil imersão. Esses períodos deverão ter como objetivo criar o prazer de ler nos estudantes, sem que esses sejam pressionados a fazerem provas com o conteúdo do livro. Além disso, os professores deverão ser orientados promover discussões sobre as histórias das obras lidas. Espera-se que essa iniciativa consiga romper o paradigma de que o livro é algo chato e além disso, reduzir o índice de analfabetismo funcional, tornando assim a população capaz de buscar por si experiências que só a leitura é capaz de fornecer.