Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 13/11/2020

Na obra Fahrenheit 451, de Ray Bradbury, é retratada uma sociedade a qual a posse de livros é um crime, medida essa que partiu da própria população, que enxerga a leitura como um ato impraticável. De maneira análoga à ficção, a falta de interesse pelos livros representa um problema no Brasil, tendo em vista a importância desse hábito no processo de formação intelectual do indivíduo. Esse cenário negativo ocorre em função da falta de incentivo à leitura por parte das escolas e traz como consequência o decaimento do senso crítico da população.

Em primeiro plano, é notável que a ausência de incentivos à adoção  dessa prática configura-se como uma das raízes do problema. Segundo o pensador e pedagogo brasileiro Paulo Freira, a educação é fundamental para a mudança da sociedade. Entretanto, em oposição aos ideais do pensador, a leitura como um fim em si mesmo é um tema pouco abordado nas escolas, onde  esse hábito é trabalhado de maneira simplista e não prazerosa, o que torna os jovens - e consequentemente os futuros adultos - pouco suscetíveis a incorporar essa prática tão importante em suas vidas.

Em uma segunda análise, cabe ressaltar a diminuição do senso crítico como uma consequência da redução dessa prática. Em seu livro “O Cérebro no Mundo Digital”, a neurocientista Maryanne Wolf evidencia as consequências da falta de leitura, sobretudo para os jovens, dentre elas se destaca uma: a redução do senso crítico, habilidade essencial de extrema importância para o bom funcionamento do regime democrático. Nesse contexto, vale ressaltar que, conforme o instituto Pró-Livro, cerca de 40% da população não pratica o hábito da leitura, estatística que comprava a desvalorização desse costume no Brasil.

Portanto, para reduzir o infeliz quadro é necessária a atuação estatal. Para tanto, urge que o  Ministério da Educação, em parceria com as Secretarias de Educação, promulgue medidas para o incentivo dessa prática, visando a incorporação desse hábito pela população. Tais medidas devem ter enfoque nos jovens, para que esses, além de se tornarem mais suscetíveis à leitura, possam levar esse conhecimento às suas famílias, com o propósito de auxiliar no processo de aumento do número de leitores. Dessa forma, uma parcela cada vez maior da sociedade há se tornar leitora e desenvolver o senso crítico, afastando-se da realidade distópica de Fahrenheit 451.