Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 18/12/2020

De acordo com o crítico literário Antõnio Cândido, a arte é uma contribuinte para a formação do caráter do indivíduo. A partir desse pensamento, a leitura, como mecanismo da fabulação, é imprescindível à formação do conhecimento educacional e expansor das ideias. No entanto, essa prática se encontra em xeque, especialmente no Brasil, devido à desigualdade de acesso aos livros e aos baixos investimentos públicos nesse setor.

Pimeiramente, a sociedade brasileira é caracterizada pela estratificação econômica, a qual é estampada, pricipalmente, na educação. Como resultado dessa desigualdade, segundo o jornal brasileiro Folha de São Paulo, somente 10% da população nacional sabe ler de modo proficiente, ou seja, observa-se uma grande parcela populacional como analfabetos funcionais. Esse dado retrata de forma clara as dificuldades de estimular a prática da leitura no Brasil. Assim, o sujeito é privado de efetivar plenamente a cidadania, de modo que o conhecimento é delimitado e a construção social humana é defazada, conforme Cândido.

Ademais, há no Brasil, por parte do Estado, ínfimos investimentos no incentivo à educação literária e, por vezes, infelizmente, o levantamento de empecilhos à democratização do aceso aos acervos literários. Entre esses impedimentos, está o aumento dos impostos nesse setor, o que expande o valor do livro em cerca de 20%, proposto pelo Ministério da Economia. A partir disso, vê-se o crescente “delta” de oportunidades entre os cidadãos, de forma a elitizar a prática da leitura. Essa situação rompe, de forma velada, com os direitos individuais à educação e ao conhecimento ampliado.

Portando, é importante minimizar os desafios que limitam a leitura no Brasil. Dessa forma, o Ministério da Educação, órgão governamental imprescindível à manutenção da democracia, deve tornar acessível os livros e incentivar a leitura à população. Isso será possível, por meio da disponibilização de acervos literários gratuitos, além da conscientização com palestras sobre a importância da leitura. Essa ação visa a ampliação da porcentegem de leitores proficientes, descrita pelo Folha de São Paulo.