Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 16/11/2020
“Um país se faz com homens e livros”.Conforme a frase do escritor Monteiro Lobato,a prática da leitura é essencial para a formação cidadã e,consequentemente,para o progresso da nação.Mas,frente ao baixo índice de leitores,a transformação do país é posta em risco,o que define como urgente a resolução do problema.Dentre os desafios a serem enfrentados,destacam-se o escasso apoio estatal presente ao longo da História e o incentivo escolar ineficiente ao hábito de ler.
Primeiramente,é notório que a negligência hodierna do Estado foi moldada desde a Colonização.No período do Brasil Colônia,o ministro Marquês de Pombal criou o Subsídio Literário,imposto voltado à promoção da educação,extinguido logo após a saída do cargo.Diante disso,vê-se que tal falta de amparo do Governo na educação e,portanto,na construção de uma sociedade leitora, permanece na contemporaneidade,manifestando-se pela má administração e conservação de escolas e bibliotecas públicas e,mais recentemente,pela tentativa de se aumentar impostos sobre os livros,o que desestimularia mais a prática da leitura.Em consequência,uma sociedade de baixa capacidade crítica e domínio de conhecimentos é moldada,o que perpetua a sustentação de estruturas políticas,sociais e econômicas desfavoráveis e desiguais,pela dificuldade de reflexão e análise da realidade.
Além disso,é visível que a falta de estímulo à leitura,desde o início da vida escolar,mantém o problema.No clipe “Another brick in the wall”,da banda “Pink Floyd”,é mostrado um sistema educacional altamente rígido,em que os alunos são padronizados como em uma fábrica fordista,sem serem consideradas suas particularidades.Fora desse cenário,é visível que muitas estratégias escolares de incentivo à leitura são ultrapassadas e inadequadas à diversidade de gostos individuais do alunos,funcionando como o esquema retratado no clipe,algo ilustrado pela falta de diversidade de gêneros e autores-pois opta-se,em muitas instituições,pela leitura dos clássicos nacionais-,o que não é atrativo a muitos estudantes.Consequentemente,o livro é visto como algo maçante ou apenas um objeto de estudo obrigatório,sendo,muitas vezes, abandonado logo após à saída da escola.
Portanto,urge superar esse conjuntura .Assim,cabe ao Ministério da Educação,junto a escolas,ONGs e diretrizes municipais,auxiliar financeiramente e promover mudanças na estrutura educacional.Isso poderá ser feito por meio da reforma e ampliação de bibliotecas públicas ou itinerantes-,adaptadas ao transporte fluvial,terrestre,o que facilitaria o acesso ao livro em áreas de baixa estrutura- e por meio de métodos de ensino ativos-aliando teatro,música ou tecnologia ao livro,tornando-o mais atrativo aos jovens.Tais ações serão feitas a fim de formar cidadãos leitores,críticos e detentores de conhecimento,podendo,dessarte,ser posta em prática a premissa de Lobato.