Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/01/2021
No filme “A menina que roubava livros” uma garota alemã se apaixona pela literatura a ponto de roubar livros, infelizmente, ela vivia numa época marcada pela censura nazista, que não permitia o acesso a eles ou a outros meios intelectuais que conduzissem a libertação da alienação totalitária propagada pelo país. Diante disso, no contexto não ficcional, à prática de leitura ainda que positiva para o desenvolvimento humano, não tem sido difundida de forma plena na sociedade. Nessa vertente, o descaso do poder público e o desinteresse individual são empecilhos na formação de leitores. Em primazia, a falta de infraestrutura dos ambientes públicos literários influencia no problema. Nesse sentido, a Constituição Federal de 1988 enfatiza inúmeros direitos sociais, inclusive a educação e lazer, mas o Estado em muitas situações se encontra atuado como as instituições fantasmas propostas por Bauman, ou seja, não estão executando seu papel na promoção de ambientes propícios para a construção literária dos brasileiros. Ademais, segundo o Plano Nacional de Educação as escolas com ambientes adequados, acessíveis e com recursos disponíveis são reconhecidos como condições básicas do trabalho educacional, apresentando grande influência na composição de uma juventude voltada ao âmbito da leitura como auxilio na sua completa formação estudantil. Com base nisso, manter os órgãos públicos “vivos” para cumprir seu papel constitucional é fundamental para a formação de leitores. Outrossim, a ausência de incentivo familiar para o desenvolvimento literário nos indivíduos é um dos impasses. Consoante a Pierre Bourdieu, sociólogo francês, o indivíduo é influenciado pelos hábitos enraizados dentro do convívio social e familiar. Sendo assim, quando os pais ou responsáveis não se mostram incentivadores para hábitos como esse, as crianças e adolescentes não encontram na leitura refúgio de conhecimento e se apegam, por exemplo, aos aparelhos tecnológicos como os celulares que de acordo com um estudo feito pela King’s College, podem deixar 1 a cada 4 jovens viciados e tendo o seu crescimento intelectual e mental comprometido. Dessa feita, o exemplo domiciliar é essencial para melhorar os hábitos dos jovens e, assim, conduzir o aumento do prazer pelos livros. Em suma, a prática de leitura deve ser incentivada no país. Dessa maneira, o Governo Federal, em conjunto com o MEC, deve criar um “Programa Nacional de Incentivo a Leitura” que atue em diversos setores da educação, como escolas e universidades, a fim de mostrar a importância para o desenvolvimento intelectual, pode ser feito por meio de simpósios culturais e a construção de Clubes de Leituras que podem, inicialmente, trazer pontuação quantitativa aos estudantes, além de contar com a participação familiar nos desafios literários para que elas possam incentivar os filhos. Cabe ainda ao GF a execução de projetos que venham melhorar a infraestrutura das bibliotecas públicas e escolas para estimular os indivíduos a buscarem cada vez mais esses ambientes. Destarte, com essas medidas o número de leitores pode crescer no país e seu conhecimento adquirido possa ser fator importante na sua liberdade de expressão que não foi vista pela menina que tinha que roubar livros.