Desafios para a prática da leitura no Brasil
Enviada em 15/11/2020
No livro ‘‘O doador de memórias’’, de Lois Lowry, é retratada uma sociedade utópica, na qual problemas educacionais e sociais são inexistentes. No entanto, na realidade contemporânea, tal aplicação é esdrúxula, pois os desafios para a prática de leitura no Brasil apresentam dificuldades, as quais correm em oposto à comunidade idealizada por Lowry. Esse cenário antagônico é fruto tanto da falta de presença de Estado, quanto da falta de interesse da população.
A princípio, é incontestável que a inobservância estatal esteja entre as causas do problema, já que políticas públicas voltadas ao incentivo da leitura e ao facilitamento do acesso aos livros são escassas. A esse respeito, pode-se relacionar o conceito de ‘’instituição zumbi’’, trazido pelo sociólogo Zygmunt Bauman: as instituições, como o Estado, existem, mas não exercem sua função social. Entende-se, desse modo, que a persistência da negligência governamental faz com que parte da população não direcione a sua atenção à questão da literacia. Assim, tal postura governamental leva à precariedade no hábito da leitura e, concomitantemente, à estagnação do consumo de livros na sociedade brasileira.
Ademais, é imperativo ressaltar a indisposição da população como promotora do entrave. Nesse contexto, de acordo com Immanuel Kant, filósofo prussiano, o indivíduo deve agir segundo a máxima que gostaria de ver transformada em lei universal. Seguindo essa linha de raciocínio, percebe-se que a população não busca tornar a leitura uma rotina, haja vista que, conforme a pesquisa ‘‘Retratos da leitura’’, do Instituto Pró-Livro, 44% da população não exercita a arte de ler. Sendo assim, a carência de interesse na leitura, certamente, resulta na falta de interpretação de textos do cotidiano e, consequentemente, na disseminação de informações distorcidas.
Portanto, fica evidente que as dificuldades para o costume da leitura têm raízes na má atuação estatal e no desinteresse popular. Por isso, é mister que o Ministério da Educação, em parceria com as escolas, lance uma ação de distribuição de livros - literários e não literários - por meio de uma campanha - nas ruas, nas mídias televisivas e nas redes sociais - de arrecadação e distribuição de livros doados. Destarte, tal propositura tem por objetivo mitigar, em médio e longo prazo, os desafios para a prática de leitura no Brasil e , caso legitimada, certamente levará a nação em direção à utopia de Lowry.