Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 15/11/2020

Promulgada em 1988, a Constituição Federal brasileira assegura a todos os cidadãos o direito à educação. Entretanto, tem-se como fator limitante que a prática da leitura, indispensável ao processo de aprendizagem, é preterida por grande parte da população, o que denota graves falhas no ensino de base do país. Dessa feita, com o fito de reverter o oneroso quadro, cabe ao Estado a reformulação da matriz de ensino brasileira, além da conscientização social acerca da importância da leitura na formação do indivíduo.

Em princípio, sabe-se que o hábito de ler é peça chave na formação de cidadãos plurais e independentes. Tal assertiva é ratificada pelo fato de a leitura ser uma importante ferramenta para o desenvolvimento do senso crítico individual, conforme defende o sociólogo francês Pierre Bourdier. Ainda segundo o especialista, a educação forjada em parâmetros técnicos contribui para a geração do “capital humano”, caracterizado pela padronização do pensamento. Dentro desse panorama, com  vistas a evitar a modelagem de pessoas passíveis de  alienação, deve-se promover um ensino básico voltado para uma formação menos mecanizada, na qual há o incentivo à leitura e ao diálogo.

Em segundo plano, evidencia-se que a família tem importante papel a desempenhar no que tange o assunto em questão. Nesse sentido, segundo o sociólogo Durkheim, a educação formal, modelo aplicado nas escolas, não deve suprimir o ensino informal, que caminha entre gerações. Isso posto, torna-se claro que, os responsáveis legais pela criança carregam o importante lide de repassar  a cultura e o conhecimento, além do dever ético de inserir a leitura no cotidiano daqueles sob sua guarda.

Dessarte, depreende-se que o Estado e a Sociedade são entes copartícipes no ajuste da causa. Logo, cabe ao Congresso Nacional a abertura de comissão bicameral, mediante processo legislativo previsto na Carta Magna, a fim de tutelar a questão educacional de maneira mais ampla e social. Para isso, os textos advindos do trabalho da comissão deverão prever a reformulação do ensino básico, que deverá deixar o caráter tecnicista e apoiar-se em valores socializantes. Desse modo, gradativamente as escolas deverão substituir os testes de averiguação meramente conteudistas e passar a avaliar os estudantes em atividades como debates e oficinas literárias. assim, para o médio prazo, o Brasil deverá potencializar o hábito da leitura e formar cidadãos socialmente mais hábeis.