Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/11/2020

De acordo com o filósofo Inglês John Locke, o empirismo humano é desde o princípio como uma tábula rasa, ou seja, como uma folha de papel em branco que seria preenchida de acordo com suas experiências e conhecimentos adquiridos. Sendo assim, é necessário compreender a importância da leitura para moldar o ser humano e as relações sociais e as dificuldades para que a o ato de ler seja presente no cotidiano da população. Dessa maneira, dois aspectos fazem-se relevantes: a falta do incentivo a leitura no Brasil e as dificuldades do acesso a livros pela população de baixa renda.

Segundo a pesquisa Retratos da Leitura, do Instituto Pró-livro, cerca de 44% da população não prática o hábito da leitura e 30% nunca comprou um livro, além do Brasil ter perdido 4,6 milhões de leitores de 2015 a 2019. Tais dados demonstram uma realidade cada vez mais presente no cotidiano do cidadão brasileiro, uma vez que jovens e adultos não são incentivados a ler e não compreendem a importância da leitura para a formação de caráter e para o amadurecimento do senso crítico e ideias, tal que não possuem gosto pelo ato de ler. Ademais, observa-se que a falta de apoio de familiares e professores afetam diretamente a visão que crianças e jovens têm sobre os livros, de maneira que muitos assimilam a leitura como uma obrigação dentro da escola e não como um lazer,  tal que preferem passar seu tempo livre nas mídias sociais, tais como Instagram, Facebook e WhatsApp.

Outrossim, as altas taxas de impostos e a crise econômica trouxeram um cenário ainda pior para o mercado editorial e para o acesso da população de baixa renda. A proposta de reforma tributária feita pelo Ministério da Economia demonstra o interesse em aumentar os tributos em cima dos livros em 12%, fato que faria com os preço subissem cerca de 20%. Desse modo, nota-se que caso realmente houver tal reforma, o livro de tornará cada vez mais distante da realidade dos brasileiros, isto porque, com a atual crise na economia brasileira, os livros não são uma prioridade para a população de baixa renda e muitas vezes os jovens leitores não têm condição financeira de comprar livros que sejam do seu gosto, se afastando cada vez mais da literatura. Dessa maneira, medidas fazem-se necessárias para resolução da problemática.

Diante dos argumentos supracitados, faz-se necessário que as escolas criem rodas de leitura e debates sobre a importância dos livros para a formação do espírito crítico,  a fim de incentivar o hábito de leitura e ampliar a visão de crianças e adolescentes sobre como os livros são essenciais para formar opinião e combater manipulações. Além disso, é necessário que o Estado crie medidas que visem controlar e supervisionar o aumento do preço dos livros e invista na criação de mais bibliotecas públicas, tendo como foco o maior contato da população de baixa renda com os livros.