Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/11/2020

Quantidade não é qualidade. Na era da tecnologia, devido às facilidades criadas pela ‘internet’, material de leitura não falta. Conquanto, o Brasil passa por um momento em que a ampla divulgação de notícias falsas mostra que ler vai além de passar os olhos pelas palavras escritas. Muito mais do que incentivar a leitura, o papel da família e da escola são essenciais para a formação de brasileiros que entendem o que está sendo veiculado de forma explícita ou implícita em um texto.

Inicialmente, faz-se necessária a análise dos resultados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Realizada por encomenda do Instituto Pró-Livro e publicada em 2016, a pesquisa mostra que houve um aumento no número de brasileiros que dizem consumir livros, 56% de 5 mil entrevistados. Porém, esses dados não foram filtrados, ou seja, incluem pessoas que leram pela metade ou foram obrigados a fazer a leitura para trabalhos acadêmicos. Em vez de aproveitar o tempo gasto com um livro, muitos jovens são forçados a pegar um livro que não os interessa e a fazer uma síntese ou um trabalho em cima do que leu. Por causa disso, e de outras razões, como a falta de tempo, não encarar a leitura como lazer e achar o preço dos livros caros, muitos brasileiros não se sentem dispostos a ler um livro ou um texto.

Além da falta de interesse, o analfabetismo funcional é outra parte da problemática. Os analfabetos funcionais são pessoas que conseguem identificar as palavras escritas, mas que não conseguem interpretar as informações passadas. A propagação de notícias parcialmente ou completamente mentirosas é um exemplo dos resultados dessa forma de analfabetismo. Por não compreenderem o que está sendo veiculado, tais cidadãos estão sendo lesados e estão lesando outros.

Como dois pilares essenciais da sociedade, a família e a escola são a base dos bons hábitos, incluindo a leitura prazerosa. A participação dessas instituições vai muito além do incentivo, a conversa, a análise do que está escrito entre as linhas, a formação de opiniões e de ideias desenvolve na criança e no adolescente a capacidade de interpretar e entender o que está sendo apresentado.

Por fim, o Ministério da Educação deve modificar a modalidade de ensino infantil e juvenil. Cabe, assim, às escolas, o papel de ensinar literatura clássica e contemporânea, incentivando a formação de opiniões e de pontos de vista. Também, pais e responsáveis devem apresentar o livro para a criança desde cedo como forma de diversão, de lazer. Dessa forma, haverá a possibilidade de um aumento significativo da quantidade de leitores que leem por vontade própria e da queda do número de brasileiros que não entendem o que estão lendo.