Desafios para a prática da leitura no Brasil

Enviada em 16/11/2020

É sabido que o acesso a leitura no Brasil é excludente desde o período colonial, haja vista que apenas a elite, principalmente a portuguesa, tinha acesso à alfabetização. De modo que, o cenário atual é um reflexo da demora na democratização do ensino básico, garantido apenas em 1934 pela Constituição Federal. No entanto, as classes mais baixas ainda sofrem pela ausência de ensino de qualidade, de forma que o número de não-leitores se torna expressivo. Ademais, as famílias de classe baixa possuem dificuldades em conciliar os gastos obrigatórios com os meios de entretenimentos e/ou instrução, como os livros, e por esta razão deixam a leitura em segundo plano.

Em primeira análise, o principal desafio dos professores de escolas públicas é fazer com que o aluno aprenda, entenda e absorva o conteúdo de um texto. Porém, há maior incentivo para a leitura de livros didáticos do que para a leitura como entretenimento, fato que afasta possíveis leitores, haja vista a obrigatoriedade de livros menos atrativos. Em adição, a ausência de bibliotecas públicas nas escolas corroboram com a exclusão literária de alunos da zona periférica, como mostra a pesquisa levantada pelo Censo Escolar de 2016, em que 53% dos CEUs (Centro Educacional Unificado) não possuem bibliotecas. Logo, a falta de estímulo e a dificuldade de acesso afetam negativamente a formação educacional dos alunos, pois, mesmo que saibam ler, tornam-se incapazes de interpretar textos graças à dificuldade em compreender o contexto e as palavras não coloquiais.

Outrossim, não existe só a dificuldade em acessar bibliotecas mas também outros recintos voltados para a leitura, como livrarias e lojas de livros usados. Segundo o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), o número de leitores é maior de classe alta do que de classe mais baixa. Por certo, a localização próxima do centro por parte das famílias de poder aquisitivo contribuem para o maior consumo de livros. Todavia, as famílias que dependem de um salário mínimo encaram a leitura como um luxo. Essa tese pode ser comprovada por meio de dados divulgados pelo Instituo Pró-Livro, os quais apontam que 82% dessas famílias não compram livros devido à outras prioridades de sobrevivência.

Portanto, para que haja maior integração de pessoas das periferias à leitura sem que estas sejam prejudicadas é mister que o Ministério da Educação (MEC) juntamente com editoras de livros criem estratégias mais inclusivas. Para tal, é necessário que haja festivais de livros em áreas mais afastadas do centro em que haverá obras literárias com preços acessíveis, batalhas de músicas ou danças, palestras sobre assuntos em alta, apresentações teatrais de clássicos da literatura brasileira e saraus para que, deste modo, a literatura seja democratizada e faça parte da rotina de todos os brasileiros.